Editora suspeita de fraude de R$ 27 milhões orientava prefeituras sobre licitações em MS


Empresa teria fornecido um “manual” para servidores justificarem contratações sem licitação, segundo investigação do MPMS


15 Jul 2026 - 09:36
Atualizado: 16 minutos atrás
0 4

Editora suspeita de fraude de R$ 27 milhões orientava prefeituras sobre licitações em MS ©FOTOS: MPMS
Editora suspeita de fraude de R$ 27 milhões orientava prefeituras sobre licitações em MS
Editora suspeita de fraude de R$ 27 milhões orientava prefeituras sobre licitações em MS

A Editora Avante, investigada por suspeita de participação em um esquema que teria movimentado mais de R$ 27 milhões em contratos públicos, oferecia orientações detalhadas a prefeituras de Mato Grosso do Sul para viabilizar compras de livros paradidáticos sem licitação, conforme aponta o Gaeco e o MPMS. A investigação faz parte da Operação Gutenberg, deflagrada para apurar supostas fraudes em contratos firmados entre a empresa e administrações municipais.

Segundo o Gaeco, a editora compartilhava materiais com servidores públicos contendo instruções para todas as etapas do processo de contratação, incluindo elaboração de estudos técnicos, pareceres jurídicos, empenhos e emissão de notas fiscais. A suspeita é de que documentos que deveriam ser produzidos exclusivamente pelos municípios eram direcionados pela própria empresa interessada nos contratos.

A investigação aponta que a Editora Avante teria iniciado as atividades em 2021 e fechado os primeiros contratos com prefeituras de Mato Grosso do Sul no ano seguinte. Entre os municípios citados estão Miranda, Ivinhema, Bonito e Ladário, com valores que somam milhões de reais. Também foram identificados contratos mais recentes envolvendo cidades como Anaurilândia, Japorã, Fátima do Sul, Deodápolis e Caarapó.

Conforme o Ministério Público, três pessoas são apontadas como líderes da suposta organização criminosa. Rossana Paroschi Jafar é indicada como proprietária de fato da editora e responsável pela condução dos contratos, enquanto Heyder Bartz e Francisco Anizio dos Santos teriam funções ligadas à gestão estratégica, movimentação financeira e operação do grupo.

A quebra de sigilos durante a investigação revelou mensagens com orientações sobre repasses de valores e procedimentos para formalização das contratações. O Gaeco afirma que a movimentação financeira investigada alcançou aproximadamente R$ 27 milhões entre os anos de 2022 e 2024.

A Operação Gutenberg cumpriu 16 mandados de prisão e segue com as investigações em andamento. Um dos investigados, Giovanni Jafar, se apresentou às autoridades, enquanto Heyder Bartz permanece foragido. As defesas dos envolvidos ainda analisam o caso, e algumas prefeituras informaram que colaboram com os órgãos de investigação.

 


REPÓRTER NOVA
Tem uma denúncia, flagrante, reclamação ou sugestão de pauta? Entre em contato com a equipe de jornalismo da Nova FM 96.1 pelo WhatsApp (67) 98111-7869. A identidade do informante é mantida em sigilo, conforme garantia prevista no artigo 5º, inciso XIV, da Constituição Federal.

Comentários (0)

User