O Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ) abriu procedimento investigatório para examinar o envio de um comunicado com teor político pela rede de Supermercados Zona Sul ao seu quadro de funcionários. A abertura da Notícia de Fato ocorreu após denúncias sobre a distribuição do material nas unidades da empresa logo antes do pleito eleitoral.
Denúncia de assédio eleitoral
A manifestação partiu do vereador Rick Azevedo (Psol), eleito deputado federal, que levou o caso a público ao relatar que “a rede de supermercados de elite da zona sul distribuiu aos funcionários uma carta assinada pelo presidente da empresa em defesa do “voto consciente”.” A publicação nas redes sociais ainda apontou que o impresso menciona “esgotamento de ciclo e “necessidade de mudança”.” Diante do conteúdo, o parlamentar questionou publicamente: “Isso é assédio eleitoral. Cadê o TSE?”
Posicionamento empresarial e sindical
Embora o impresso assinado pela presidência da corporação evite citar diretamente qualquer candidatura, o texto estimula o conceito de “voto consciente” e prega transformações administrativas e políticas. Em resposta à conduta patronal, o Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro protocolou uma medida judicial contra a rede varejista, argumentando que a direção corporativa invadiu a esfera individual dos empregados.
Em nota oficial, a liderança sindical reforçou sua posição crítica: “Patrão nenhum é dono da consciência política de seus funcionários. Nem pode coagir”. A entidade acrescentou que “Por trás de discursos genéricos sobre a necessidade de mudar o país, existem interesses políticos e econômicos em disputa. E os interesses de quem emprega nem sempre são os mesmos de quem vive do próprio salário – especialmente quando estão em jogo direitos trabalhistas e conquistas históricas, como o fim da escala 6×1.”
Investigação em andamento
Enquanto o órgão ministerial e o judiciário trabalhista avaliam a legalidade da conduta, a defesa ou os representantes da rede de Supermercados Zona Sul não atenderam aos chamados da reportagem para comentar o episódio, permanecendo com o espaço disponível para futuras declarações.
Agência Brasil




