Ao completar três décadas de história no Brasil, a urna eletrônica coleciona avanços que ultrapassam a rapidez na contagem de votos. A transição definitiva do modelo tradicional em cédulas para o formato digital gerou uma economia estimada em 13,5 mil toneladas de papel ao longo desse período, segundo dados consolidados pela Justiça Eleitoral.
Agilidade na apuração e redução da pegada ecológica
Até o pleito de 1994, os brasileiros ainda assinalavam suas escolhas manualmente, o que provocava apurações que chegavam a durar 15 dias nos grandes colégios eleitorais. A informatização teve início em 1996 com um terço do eleitorado, expandiu-se em 1998 e cobriu a totalidade das seções no ano 2000. Essa transformação logística reduziu significativamente o tempo de mobilização de equipes e a infraestrutura de apoio.
De acordo com o secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Júlio Valente, a celeridade do sistema gerou ganhos ecológicos indiretos: “O impacto é indireto no sentido de que tudo se tornou mais rápido e, portanto, com uma pegada menor quando a gente pensa na eleição como um todo”.
Descarte sustentável e ciclo de vida útil
Cada aparelho tem capacidade para operar em seis ou sete pleitos consecutivos, o que confere uma vida útil entre 12 e 15 anos. A substituição só ocorre diante do desgaste dos componentes ou para resguardar a confiabilidade do processo.
Conforme explicou Valente, “Se a urna está funcionando bem, se não está dando muito problema, a gente consegue continuar utilizando essa urna por várias eleições”.
Ao término de sua vida útil, os equipamentos são destinados a leilões para empresas especializadas. Os aparelhos passam por desmontagem, descaracterização e trituração para posterior reutilização industrial. As exigências contratuais estipulam um patamar mínimo de 95% de reaproveitamento, meta que vem sendo superada.
“O mínimo nesses contratos é 95% de reciclagem. O que isso quer dizer? De cada urna eletrônica, 95% dela vai para reciclagem, é reaproveitado em outros processos fabris. Mas nos últimos descartes, a gente tem conseguido até 98% de percentual de reciclagem”, explicou o secretário. O montante restante, que varia entre 2% e 5%, segue para aterros sanitários certificados.
Design ecológico para facilitar a reciclagem
A preocupação ecológica também orientou revisões no desenho técnico dos aparelhos. Nas primeiras versões desenvolvidas em 1996 e 1998, etiquetas plásticas adesivadas com o nome da Justiça Eleitoral dificultavam o processo de triagem. A solução foi adotar inscrições em alto-relevo na própria carcaça.
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