Morador de Corumbá escapa de execução após ser confundido com integrante de facção
©Anderson Gallo/Diário Corumbaense Um morador de Corumbá, de 27 anos, viveu momentos de terror ao ser sequestrado e torturado por integrantes de uma facção criminosa em Lucas do Rio Verde (MT). O caso ocorreu na última terça-feira (14), quando o sul-mato-grossense foi confundido com um membro de um grupo rival. A execução só não aconteceu porque equipes da Cavalaria da Polícia Militar de Mato Grosso localizaram o cativeiro, resgataram a vítima e prenderam parte dos suspeitos.
Por questões de segurança, a identidade do homem não foi divulgada. Em entrevista ao Diário Corumbaense, ele relatou que havia viajado ao município mato-grossense após receber uma proposta de emprego. Segundo contou, chegou à cidade na sexta-feira (10), realizou os exames admissionais e precisava apenas atualizar o cartão de vacinação antes de iniciar as atividades na empresa.
Na manhã de terça-feira, enquanto deixava o hotel onde estava hospedado para solicitar um carro por aplicativo, o rapaz foi abordado por dois homens. Eles perguntaram de onde ele era, observaram a camiseta que vestia e exigiram acesso ao seu telefone celular.
A peça de roupa trazia o símbolo Yin e Yang, tradicional da cultura chinesa. Conforme o relato da vítima, os criminosos interpretaram a imagem como um sinal ligado a uma facção rival.
Ao verificarem o aparelho, encontraram conversas em um grupo de mensagens de Corumbá. Segundo o rapaz, os suspeitos passaram a associar alguns símbolos utilizados por participantes da conversa a organizações criminosas e iniciaram uma série de questionamentos sobre uma suposta ligação dele com facções.
Ainda no hotel, os homens fizeram uma chamada de vídeo com outras pessoas. Durante a conversa, segundo a vítima, foi decidido que ele seria levado para uma região de mata.
Inicialmente, o homem foi amarrado dentro do hotel. Como havia câmeras de segurança, os criminosos optaram por colocá-lo em um veículo e seguir até uma área de mata localizada entre Lucas do Rio Verde e Sorriso.
No local, ele permaneceu sob o poder do grupo por aproximadamente três horas. Durante esse período, diversos integrantes da facção chegaram e deixaram o local, enquanto ele era interrogado e agredido para admitir uma ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), o que negava repetidamente.
Segundo o relato, além das agressões com pedaços de madeira, ele sofreu um golpe de faca na perna direita. Mesmo depois de alguns integrantes concluírem que ele não possuía qualquer envolvimento com organizações criminosas, a decisão sobre sua execução continuou sendo discutida.
A vítima contou que, em determinado momento, acreditou que seria morta. De acordo com ele, um dos criminosos insistia por telefone para que o assassinato fosse realizado e que o corpo fosse incendiado em seguida.
Enquanto os integrantes da facção decidiam o destino da vítima, equipes da Cavalaria da Polícia Militar de Mato Grosso chegaram ao local após receberem informações sobre o sequestro.
O homem afirmou que ouviu disparos e, inicialmente, acreditou que outro grupo criminoso havia chegado à área. Pouco depois, percebeu que se tratava da ação policial, que interrompeu o chamado "tribunal do crime", garantiu seu resgate e efetuou a prisão de parte dos envolvidos.
Crédito da postagem original para Anderson Gallo/Diário Corumbaense
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