Uma sessão especial realizada no plenário celebrou o Dia do Médico, data oficializada em referência a São Lucas, padroeiro da medicina. Proposta pelo senador Dr. Hiran, a solenidade colocou em evidência a relevância da categoria, além de pautar as dificuldades enfrentadas no cotidiano profissional, como a infraestrutura precária das unidades e a disparidade na distribuição de profissionais pelo território nacional.
Desafios e valorização da categoria
Durante a abertura do evento, o senador Dr. Hiran pontuou que a prática médica demanda rigor científico, empatia e dedicação integral à preservação da vida. O parlamentar também criticou duramente as jornadas exaustivas, os salários inadequados e a escassez de recursos estruturais na rede de saúde, destacando uma reflexão central sobre o atendimento humanizado: — Todo paciente é amor de alguém. Por trás de um prontuário ou de um leito hospitalar existe uma mãe, um pai, um filho, um amigo, alguém imensamente amado — afirmou.
O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), José Hiran Gallo, reforçou que o reconhecimento da classe precisa vir acompanhado de garantias estruturais e educacionais: — Valorizar o médico é exigir qualidade da formação e assegurar condições dignas de trabalho. São compromissos públicos com a vida — declarou.
Cenário demográfico e novas pautas legislativas
Levantamentos recentes do estudo Demografia Médica no Brasil apontam que o país conta atualmente com cerca de 635,7 mil médicos em atividade, alcançando uma proporção de 2,98 profissionais a cada mil habitantes. O relatório também marcou uma transformação histórica: pela primeira vez, as mulheres assumiram a maioria na área, representando 50,9% do total de registros ativos.
A senadora Tereza Cristina resgatou o protagonismo da categoria durante a crise sanitária da covid-19 e enfatizou a importância da atuação em locais isolados. A parlamentar também mencionou projetos legislativos em tramitação no Congresso, englobando o piso salarial nacional, avaliações para recém-formados e a ampliação de bolsas para residência médica: — A medicina evoluiu consideravelmente, incorporou novas tecnologias e tratamentos, mas a essência da profissão continua a mesma: cuidar do próximo — declarou.
Formação médica e precarização do trabalho
A qualidade do ensino na área da saúde também esteve no centro dos debates. A deputada federal Bia Kicis defendeu exigências mais rígidas na preparação acadêmica dos estudantes, argumentando que a abertura de novas vagas precisa vir acompanhada de investimentos consistentes: — Precisamos de médicos em quantidade suficiente, sim, mas sobretudo de médicos bem preparados e de serviços capazes de oferecer atendimento digno à população — disse.
Representantes de entidades sindicais e associativas alertaram sobre a deterioração das relações trabalhistas. Geraldo Ferreira, presidente da Federação Nacional dos Médicos, questionou os rumos econômicos do setor: — Estamos tornando a saúde mais acessível ou apenas tornando o trabalho médico mais barato? — questionou.
Corroborando com as críticas, Fernando Mendonça, líder da Federação Médica Brasileira, argumentou que o foco principal das reivindicações é a garantia de um sistema de saúde de qualidade: — Não estamos aqui para defender a classe médica, mas para defender uma medicina justa e digna para a população brasileira — argumentou.
Por fim, Etelvino Trindade, presidente da Associação Médica Brasileira na região Centro-Oeste, ressaltou o caráter ininterrupto da dedicação exigida pela carreira: — Ser médico é assumir um compromisso de vida bastante pesado. Ao médico não é permitido se omitir quando está em descanso ou fora do ambiente de trabalho — sentenciou.
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