O câncer de mama também atinge o público masculino, mas a descoberta da doença costuma acontecer em fases mais tardias entre os homens, segundo um levantamento recente com dados de registros hospitalares que analisou milhares de casos da patologia no país. O cenário acende um alerta sobre a necessidade de conscientização sobre essa condição médica.
Proporção de casos avançados e metástase
Entre os registros analisados entre 2020 e 2023, os estágios mais graves da doença concentraram fatias expressivas tanto em pacientes masculinos quanto femininos. No entanto, a disparidade se evidencia no estágio IV, período em que o tumor já apresenta metástase, atingindo uma parcela maior dos homens diagnosticados do que das mulheres.
“A população precisa saber que o câncer de mama pode acometer homens e, inclusive, ser também letal nesse público nos casos mais avançados”, disse o radio-oncologista e presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia, Wilson José de Almeida Jr.
Fatores que dificultam a detecção precoce
A falta de informação de que o público masculino pode desenvolver a enfermidade faz com que muitos demorem a buscar ajuda médica ao notar mudanças no corpo. Como os homens possuem uma quantidade reduzida de tecido mamário, o tumor pode alcançar estruturas vizinhas rapidamente, mesmo quando ainda apresenta dimensões reduzidas.
“Muitos demoram a procurar atendimento ao perceber alterações na região. Além disso, como possuem pouco tecido mamário, o tumor pode atingir estruturas próximas, como a pele ou músculos do peito, mesmo quando ainda é pequeno. A presença de caroços, alterações no mamilo ou secreção, especialmente com sangue, deve ser investigada”, explica a médica e rádio-oncologista Denise Ferreira (foto: arquivo pessoal).
Opções terapêuticas e sobrevida
Quando diagnosticado em fases iniciais, o tratamento costuma envolver a cirurgia como principal abordagem, podendo ser complementada por terapias hormonais, quimioterapia e sessões de radiação para mitigar o risco de retorno da enfermidade na área afetada.
“A radioterapia tem um papel importante, especialmente após a cirurgia, para reduzir o risco de retorno da doença na região tratada. Sua indicação depende do estágio do câncer e das características de cada paciente. Atualmente, técnicas modernas permitem tratamentos precisos, com maior proteção dos tecidos saudáveis”, afirma a médica.
Apesar de o diagnóstico masculino frequentemente acontecer de maneira tardia, as perspectivas de recuperação são encorajadoras quando há identificação prévia. “De maneira geral, os dados mostram que a sobrevida relativa dos homens com câncer de mama em cinco anos é superior a 80%, considerando todos os estágios da doença, podendo ultrapassar 95% quando o câncer é identificado ainda restrito à mama”, aponta a especialista.
Análise do público feminino e rastreamento
Outro levantamento focado no público feminino jovem revelou que a grande maioria das mulheres de até 39 anos foi diagnosticada em fases intermediárias ou avançadas, ressaltando a importância de investigar qualquer alteração persistente independentemente da faixa etária habitual de rastreamento por mamografia, recomendada a partir dos 40 anos para o público geral.
“A diferença em relação às mulheres de maior idade reforça a importância de investigar alterações persistentes nas mamas, inclusive antes da idade recomendada para o início do rastreamento da população de risco habitual”, explica Juliano Rodrigues Cunha, cirurgião oncológico, mastologista e diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica.
Agência Brasil




