Alunos secundaristas franceses saíram às ruas nesta terça-feira para mais um dia de manifestações contra a precariedade das estruturas de ensino. A mobilização contou com a presença da ativista sueca Greta Thunberg em frente a uma escola em um bairro popular de Paris, marcando a quarta semana de protestos nacionais por melhorias na educação.
Reivindicações e impacto nas escolas
O movimento estudantil denuncia a escassez de docentes, a superlotação nas salas de aula e a degradação generalizada dos edifícios. As ações incluem marchas, bloqueios em centenas de instituições e episódios de confronto com as forças de segurança. Alunos se concentraram desde o início da manhã em frente aos portões em diversas cidades, utilizando cartazes, megafones e palavras de ordem.
Segundo o ministro da Educação, Edouard Geffray, aproximadamente 200 escolas amanheceram fechadas, sendo parte das paralisações motivada por precauções de segurança devido ao trajeto das marchas programadas para o decorrer do dia.
Apoio internacional e críticas à repressão
Conhecida inicialmente por sua atuação contra as mudanças climáticas, Greta Thunberg declarou que a juventude francesa necessita de solidariedade global. Eles devem saber que, em todo o mundo, estamos acompanhando esses acontecimentos. Estamos inspirados pelos jovens que reivindicam seus direitos básicos, afirmou a ativista em frente ao Lycée Paul Eluard, em Saint-Denis.
A ativista também pontuou que Seja a falta de financiamento para escolas, a crise climática ou as crises de injustiça social… já é hora de os jovens se mobilizarem e reivindicarem esse futuro. Além disso, ela classificou a postura das autoridades como um sinal extremamente violento diante das reivindicações estudantis.
Cenário político e tensão nas ruas
A atuação da polícia de choque tem gerado forte polarização política no país. Com o uso de gás lacrimogêneo e avanços contra manifestantes, centenas de feridos e milhares de prisões foram registrados. Na semana passada, o governo suspendeu o uso de granadas de efeito moral após um adolescente ter a mão amputada durante os confrontos.
Enquanto alas da esquerda criticam duramente a violência policial, a extrema-direita, representada por figuras como a candidata presidencial Marine Le Pen, responsabiliza os manifestantes pelos danos causados ao patrimônio e ferimentos em funcionários e agentes.
Todo esse panorama de instabilidade ocorre a apenas seis meses de uma eleição presidencial crucial, adicionando um grau elevado de incerteza política à França, em um momento em que a extrema-direita busca consolidar espaço no poder.
Agência Brasil




