O estado do Amazonas registrou 540 novos focos de incêndio em apenas dois dias, de acordo com o painel Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O volume alarmante representa mais da metade de todas as ocorrências contabilizadas ao longo do mês de outubro de 2025, período que somou 874 registros em 31 dias.
Apenas no sábado (10), o monitoramento por satélite identificou 494 novos focos em solo amazonense, o maior patamar diário do período. Para efeito de comparação, na mesma data de 2025 o instituto não havia detectado novas ocorrências em todo o território estadual.
Vistoria aérea e suspeita de crime ambiental Diante da gravidade da situação, os ministros João Paulo Capobianco, do Meio Ambiente e Mudança do Clima, e Waldez Góes, da Integração e do Desenvolvimento Regional, realizaram um voo de reconhecimento no domingo (11). Durante a inspeção, as autoridades constataram chamas ativas em regiões florestais de acesso restrito.
Como o ecossistema amazônico não apresenta episódios de combustão espontânea, o ministro Capobianco destacou que as chamas decorrem de intervenção humana deliberada. A suspeita é de que o fogo seja utilizado para danificar a vegetação nativa e limpar o terreno com foco em futuros desmatamentos.
“É fundamental que as pessoas que estão agindo criminosamente vejam que serão punidas”, afirma o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
Impacto na saúde e decretação de emergência A densa fumaça gerada pelas queimadas comprometeu a qualidade do ar, resultando em um alerta de risco à saúde emitido pela Defesa Civil de Manaus na sexta-feira (9). O cenário crítico motivou o reconhecimento sumário de situação de emergência em 36 municípios amazonenses.
Força-tarefa federal e apoio humanitário Para conter o avanço do fogo, uma operação conjunta entre instâncias municipal, estadual e federal foi montada na região. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) deslocou 290 brigadistas e seis aeronaves, incluindo quatro aviões do modelo Air Tractor e dois helicópteros.
“São aeronaves muito específicas e apropriadas para o combate ao incêndio florestal. Cada aeronave dessas lança cerca de 3 mil litros de água”, explica Jair Schmitt, presidente do Ibama.
O apoio logístico também conta com dois aviões KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB), que desembarcaram no domingo (11) a pedido da Defesa Civil. Simultaneamente, equipes da Força Nacional do SUS prestam atendimento médico nas localidades afetadas.
O ministro Waldez Góes ressaltou que a gestão estadual tem articulado o apoio aos municípios para estruturar uma resposta integrada de proteção civil.
“Uma coisa é empregarmos, enquanto governos federal, estadual e municipal, todas as forças que pudermos para apagar o fogo. A outra é assistir às pessoas que estão precisando de ajuda humanitária e assistência médica por causa dos incêndios”, declara.
Agência Brasil




