Após a decisão do Tribunal Superior Eleitoral definir a disputa estadual ainda no primeiro turno, o presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Douglas Ruas (PL), já articula as prioridades para a sua gestão à frente do Palácio Guanabara, cuja posse está agendada para o dia 5 de janeiro. O político contabilizou dezenas de promessas de campanha, abrangendo desde a recuperação de áreas dominadas até a implementação de colégios cívico-militares.
Em entrevista exclusiva após o julgamento que invalidou os votos de Anthony Garotinho por 5 a 2, Ruas abordou os desafios da segurança pública, apontada pelos eleitores fluminenses como a principal urgência do estado. O chefe do Legislativo estadual também comentou a estratégia que garantiu a virada sobre o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), cujo grupo político já anunciou que recorrerá ao Supremo Tribunal Federal para tentar assegurar a realização de um segundo turno.
Segurança pública e retomada de territórios
Questionado sobre a eficácia de medidas de segurança em um cenário histórico de promessas sem entregas concretas, o futuro governador enfatizou que o tema será o foco central de sua administração. “Vai ser prioridade, mesmo. Vamos convocar todos os excedentes aprovados em concursos da polícia e aumentar o efetivo para começar a combater o domínio territorial dos bandidos no estado. Sobre operações, nosso plano prevê, sim, operações e a retomada permanente dos territórios. Mas vamos avaliar ainda as áreas para entender qual energia usaremos em cada favela. O que posso adiantar é que não ficaremos fazendo sucessivas operações em comunidades sem plano de ocupação. É operação planejada para imediatamente ocupar. Precisamos garantir para o morador da favela o mesmo policiamento ostensivo da orla do Rio”, declarou.
Ao ser questionado sobre os locais iniciais dessas ações estratégicas, o político adotou cautela para evitar vazamentos táticos. “Não vou dizer. Esse foi o erro da UPP, anunciar onde seriam as operações com antecedência e aí ninguém era preso. Não vou fazer assessoria para bandidos”, afirmou.
Gestão, secretariado e articulação política
Sobre a possibilidade de ceder pastas governamentais a legendas aliadas para assegurar governabilidade na Assembleia Legislativa, o dirigente adotou um discurso voltado para a meritocracia técnica. “Minhas escolhas serão técnicas”, pontuou.
Indagado se essa postura se manteria diante de cobranças políticas, o parlamentar ponderou: “Pode até ter algum deputado que vire secretário pela competência que tiver. Foi o meu caso, por exemplo. Agora ter indicação de deputado em contrapartida de algo? Não vai ter.”
Relação com o Centrão e cenário eleitoral
Com a saída do ex-prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa, de sua chapa no primeiro turno, o candidato minimizou o impacto do distanciamento de setores do Centrão fluminense e atribuiu seu triunfo ao desgaste da classe política tradicional. “A população resolveu dar um basta numa geração de políticos e eu é que representei o novo na eleição. Essa turma do Paes é da cultura dos privilégios e de frequentar camarotes na Sapucaí. Passa a impressão na população de querer ser governador só para mudar de palácio”, avaliou.
Investigações e perspectivas futuras
Por fim, o futuro chefe do Executivo estadual comentou as apurações conduzidas pelo Ministério Público a respeito do crescimento patrimonial de sua empresa, a Saur, envolvendo suspeitas de peculato e lavagem de dinheiro. “De maneira alguma. O MP já arquivou antes uma investigação semelhante. Essa apuração teve início a partir de uma denúncia anônima e vai ter o mesmo desfecho. Sei muito bem separar a minha vida pública da vida privada. O Rio real venceu o mar de mentiras que foi lançado contra mim”, concluiu.
Fonte: Portal Extra




