Antes da supremacia absoluta do iOS e do Android nas mãos dos consumidores, o BlackBerry Curve 8520 desempenhou um papel fundamental na consolidação dos celulares conectados em tempo integral. Chegando ao mercado brasileiro em 2009, o dispositivo misturava um teclado físico no formato QWERTY, navegação móvel e o cobiçado BBM, formando um conjunto tecnológico que parecia futurista para o período.
Preço de lançamento e os planos da época
Para mensurar o impacto financeiro do aparelho nos dias atuais, o cálculo utiliza como referência o valor de R$ 499 praticado pela operadora Vivo associado a uma modalidade de plano vigente no período, aplicando a variação acumulada do IPCA, que serve como o índice oficial de inflação no Brasil.
Contudo, a etiqueta de R$ 499 não revelava o panorama completo da época. A operadora comercializava o Curve 8520 com subsídios atrelados ao contrato de telefonia escolhido, fazendo com que o custo oscilasse entre R$ 49,90 e R$ 499, dependendo dos pacotes de voz e internet selecionados pelo cliente.
O ecossistema obrigatório da marca
Além da tarifa básica de voz, era preciso assinar o BlackBerry BIS, um serviço indispensável para usufruir das ferramentas de conectividade e troca de mensagens do telefone. O plano BIS Light saía por R$ 49,90 mensais, garantindo tráfego ilimitado para correio eletrônico e chats, enquanto a modalidade com web irrestrita alcançava R$ 69,90 por mês.
Dessa forma, manter o dispositivo ativo exigia um investimento mensal recorrente que ia muito além da aquisição do hardware, estruturando um modelo de negócio fundamentado na simbiose entre o telefone, a telefonia celular e pacotes de dados exclusivos.
O valor corrigido pela inflação
Aplicando a correção monetária sobre a base de R$ 499 cobrada pela operadora, o montante equivaleria hoje a aproximadamente R$ 1.486, patamar financeiro ocupado atualmente por modelos de smartphones intermediários de entrada.
Naquela época, a experiência de receber mensagens instantâneas e alertas em tempo real era uma novidade absoluta. O BlackBerry Messenger permitia a troca rápida de textos via rede móvel, transformando-se rapidamente no principal ícone da fabricante canadense.
Especificações técnicas e o mercado atual
Se estive posicionado na faixa de R$ 1.500 no mercado atual, o modelo concorrería diretamente com celulares modernos da categoria intermediária. No entanto, as especificações técnicas da época incluíam visor de 2,46 polegadas, teclado QWERTY físico, trackpad óptico, câmera fotográfica de 2 megapixels, conectividade Wi-Fi e suporte à rede EDGE.
O cenário financeiro ganha novos contornos quando se recorda que a mesma operadora chegou a comercializar o equipamento por R$ 1.399 na modalidade pré-paga no final de 2009, já embutindo doze meses de acesso à internet. Sob essa perspectiva, o montante ultrapassaria a marca de R$ 4.100, valor compatível com um telefone intermediário premium dos dias de hoje.
Fonte: Portal Canal Tech




