O sonho da casa própria se torna uma realidade cada vez mais distante das classes baixa e média em Belém. Isso se deve à supervalorização do metro quadrado dos imóveis, cujos preços não param de crescer e entram em desequilíbrio com o mercado local.
Os lançamentos de luxo saltaram de 12,50% em 2023 para 42,90% no quarto trimestre de 2025, segundo o censo imobiliário da Brain Inteligência Estratégica. O foco no alto padrão empurra a população das camadas mais pobres para a periferia da cidade.
A concentração de empreendimentos de luxo é explicada pelo setor produtivo como uma questão de sobrevivência financeira diante do alto custo de terrenos em áreas centrais. O social media Daniel Vinagre fala sobre os valores elevados que tem de arcar com o aluguel.
“O valor do meu aluguel está R$ 800,00 e já é um valor bem alto que eu acho, já que eu moro sozinho e, considerando o valor do salário mínimo também, já leva mais de 50%.”
De acordo com Bruno Mileo, diretor de edificações do Sindicato da Indústria da Construção Civil, o custo dos terrenos, somado às despesas de obra e impostos, inviabiliza projetos que não sejam de médio ou alto padrão.
O IVV (Índice de Velocidade de Vendas) médio da capital paraense fechou o último trimestre de 2025 com quase 18% para o segmento residencial vertical. Nos bairros de Nazaré, Umarizal e Batista Campos, o preço médio do metro quadrado atingiu quase R$ 12 mil e registrou uma alta de 13,20% em comparação ao ano anterior.
Outro ponto de alerta é a impermeabilização do solo causada pela verticalização, o que agrava os alagamentos na capital. Os condomínios tendem a pavimentar todo o lote, de modo a reduzir a infiltração de água em áreas com resquícios vegetais importantes.
Em 12 meses, o valor dos imóveis em Belém é o segundo maior do Brasil, com quase 14% de aumento em um ano.
Créditos Rádio Nacional/ Agência Brasil



















