Renan Santos defende nova reforma da Previdência, endurecimento contra facções e armas nucleares em entrevista à Globo
©candidatos à Presidência da República/ Divulgação — Lula, Flávio Bolsonaro, Renan Santos, Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Romeu Zema O candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos, apresentou nesta quarta-feira (26) suas principais propostas e posições durante entrevista concedida à Globo, conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli. Entre os temas abordados estiveram a relação com o Supremo Tribunal Federal (STF), reformas econômicas, segurança pública, combate ao crime organizado, política externa, armas nucleares, direito ao voto e políticas para mulheres.
Candidato diz que não cumprirá decisões que considerar ilegais
Ao falar sobre declarações anteriores relacionadas ao STF, Renan Santos afirmou que não pretende descumprir indiscriminadamente decisões da Corte. Segundo ele, entretanto, uma eventual decisão que considere ilegal não deveria ser obedecida.
A declaração foi apresentada pelo candidato como parte de sua visão sobre os limites das decisões judiciais e a atuação dos demais Poderes.
Nova reforma da Previdência
Na área econômica, Renan afirmou que pretende promover uma nova reforma da Previdência caso seja eleito. Para ele, mudanças nas regras seriam necessárias diante da trajetória das contas públicas. O candidato também defendeu uma política de redução de despesas e afirmou que seu programa prevê uma economia de aproximadamente R$ 1,1 trilhão nos próximos cinco anos.
Outro ponto apresentado durante a entrevista foi a proposta de desvincular os pisos constitucionais destinados à saúde e à educação. Renan argumentou que a atual estrutura de gastos não atenderia igualmente às necessidades dos municípios brasileiros.
Defesa de armas nucleares
Um dos pontos mais controversos da entrevista foi a defesa de que o Brasil desenvolva armas nucleares. Renan argumentou que a capacidade militar seria necessária para ampliar o peso geopolítico brasileiro e afirmou que as grandes potências militares possuem arsenais nucleares.
O candidato reconheceu, porém, que o Brasil não teria condições de desenvolver esse tipo de armamento na próxima década. Também defendeu que o país deixe o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, citando a Coreia do Norte como exemplo de país que abandonou o acordo.
Segurança pública e combate às facções
A segurança pública ocupa posição central no programa de governo do candidato. Renan afirmou que pretende recuperar áreas controladas por organizações criminosas e declarou considerar que o Brasil vive uma espécie de guerra contra o crime organizado.
Entre as propostas está a alteração da legislação penal para aumentar o rigor aplicado aos integrantes de facções. O candidato também afirmou que pretende construir dez novos presídios federais, com capacidade estimada entre 30 mil e 40 mil vagas cada. Segundo ele, seriam necessários cerca de R$ 6 bilhões para executar essa parte do projeto.
Atualmente, o sistema penitenciário federal possui cinco unidades de segurança máxima, que somam pouco mais de mil vagas.
Inspiração no modelo de El Salvador
Renan também confirmou que pretende adotar medidas inspiradas na política de segurança implementada pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele.
Entre as ideias apresentadas está a utilização do estado de defesa em regiões dominadas por organizações criminosas e a criação de um regime excepcional em determinadas áreas. O candidato afirmou que pretende utilizar mecanismos mais rígidos para retomar territórios sob influência de facções.
Direito ao voto
Questionado sobre uma declaração de Orlando Lima, colaborador de seu plano de governo, Renan afirmou discordar da ideia de restringir o direito de voto de pessoas que não possuem patrimônio ou recebem benefícios sociais.
Segundo o candidato, a declaração representa uma opinião individual e não corresponde à posição oficial de sua candidatura. Ele também defendeu a participação de Lima na elaboração do chamado Livro Amarelo, programa de governo do Missão.
Feminicídio e violência contra mulheres
Sobre a ausência de medidas específicas para o combate ao feminicídio em seu plano, Renan afirmou que sua campanha prioriza o enfrentamento ao crime organizado e que a questão da violência contra mulheres e crianças seria tratada dentro dessa estratégia mais ampla.
Ele argumentou ainda que estados e municípios possuem papel fundamental na formulação e execução de políticas específicas de segurança e combate à violência doméstica.
Declarações de Arthur do Val
Renan também foi questionado sobre o áudio divulgado em 2022 pelo deputado estadual cassado Arthur do Val, aliado político que fazia parte da mesma corrente política. Na gravação, feita durante uma viagem à Ucrânia, Do Val fez comentários depreciativos sobre mulheres ucranianas.
Renan classificou o conteúdo como inadequado, mas ressaltou que o episódio ocorreu em uma conversa privada e lembrou que Do Val perdeu o mandato.
Maioria masculina no Missão
Outro assunto abordado foi a composição do partido. Segundo os dados apresentados na entrevista, 92% dos filiados ao Missão são homens.
Renan atribuiu a baixa participação feminina, entre outros fatores, a episódios de violência política contra mulheres ligadas ao grupo. Ele citou como exemplo Amanda Vettorazzo, coordenadora de sua campanha, que, segundo seu relato, teria sido vítima de perseguição e ataques virtuais.
Mudanças climáticas e infraestrutura
Sobre políticas destinadas à prevenção de desastres climáticos, Renan afirmou que seu programa contempla investimentos em infraestrutura e que estados e municípios já possuem planos para enfrentar situações de risco.
Ao mencionar as enchentes no Rio Grande do Sul, o candidato argumentou que existiam medidas de manutenção previstas para o sistema de comportas, mas faltariam recursos para investimentos.
A solução defendida por ele passa pela redução de despesas públicas e pela realização de reformas econômicas que, segundo sua estimativa, poderiam gerar economia de R$ 1,1 trilhão em cinco anos.
Críticas à política externa do governo Lula
Na política internacional, Renan criticou a atuação do governo Luiz Inácio Lula da Silva e acusou o presidente de adotar uma postura excessivamente alinhada aos interesses da China.
O candidato também citou conflitos envolvendo Israel, Irã, Estados Unidos e China para defender uma mudança na estratégia brasileira de política externa. Para Renan, o cenário internacional deverá passar por uma grande transformação nas próximas décadas, e o Brasil precisaria ampliar sua capacidade de defesa e sua autonomia estratégica.
Principais propostas do programa
O plano de governo apresentado pelo candidato reúne outras medidas de grande impacto, entre elas a redução do número de municípios, mudanças nas regras do Bolsa Família, alterações nas políticas educacionais, reformas trabalhistas e medidas para aumentar a produtividade econômica.
Na segurança, o programa prevê uma política de enfrentamento às facções, construção de presídios de segurança máxima e operações de retomada territorial.
Renan Santos, de 42 anos, é empresário e ativista político e lidera o Movimento Brasil Livre (MBL), organização que ajudou a fundar. O Missão foi criado em 2025 e disputa sua primeira eleição presidencial.
Fonte: TV Globo
*Texto reescrito e produzido de forma independente a partir das informações da entrevista publicada pela emissora
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