A famosa Mostra Internacional de Cinema de São Paulo iniciou sua programação nesta quinta-feira (15) celebrando meio século de história com a exibição de 392 longas-metragens vindos de 93 países diferentes. O evento festivo, que segue em cartaz até 29 de outubro, conta com uma vasta agenda cultural que inclui debates, exposições artísticas, lançamento de publicações literárias, exibições musicais, atividades infantis e a inauguração de um acervo exclusivo do festival.
Meia década de impacto cultural
Ao longo de sua trajetória de cinco décadas, o festival já apresentou mais de 11.692 produções ao público, desempenhando um papel fundamental no desenvolvimento de novos talentos, desde espectadores assíduos até cineastas consagrados. Um dos frutos dessa história é o produtor Rodrigo Teixeira, responsável por títulos de grande repercussão como “Ainda Estou Aqui”, “Me Chame pelo seu Nome” e o aguardado “Tigre de Papel”, dirigido por James Gray.
“A Mostra me formou como cineasta e me ajudou muito a me formar como ser humano”, declarou Teixeira durante a cerimônia oficial de abertura realizada na noite de quarta-feira (14), ressaltando ainda a coincidência de datas comemorativas em sua carreira.
“A Mostra celebra 50 anos, eu celebro 50 anos, minha empresa celebra 20 anos. Há 20 anos eu ganhei o prêmio de melhor filme aqui. Então, muitas datas se cruzam.”
Cenas do Filme Tigre de Papel do cineasta James Gray. Foto: 50° Mostra Internacional de Cinema SP/ Divulgação
Presenças internacionais e novos lançamentos
O diretor estadunidense James Gray esteve presente no evento inaugural para divulgar sua mais nova obra cinematográfica, “Tigre de Papel”, que aborda a trajetória de dois irmãos em busca do sonho americano que acabam envolvidos com facções criminosas russas.
“Eu amo este país. Essa não é a minha primeira vez aqui, que é um lugar maravilhoso”, afirmou o cineasta, que também assina a criação do pôster oficial desta edição comemorativa.
Outro destaque da programação é o cineasta Kleber Mendonça Filho, que apresenta seu curta-metragem inédito “Sul de Teerã”, obra que acompanha os passos do diretor Jafar Panahi em Nova York. O brasileiro celebrou a oportunidade de exibir seu trabalho no festival.
“A Mostra faz parte da vida de todos nós, brasileiros, que amamos cinema.”
“Estou muito feliz em apresentar, pela primeira vez, este filme no Brasil durante a Mostra de São Paulo. O festival toma ainda mais importância para nós ao reafirmar a importância da cultura do cinema neste momento tão dramático do país.”
Cenas do Filme Sul de Teerã. Foto: 50° Mostra Internacional de Cinema SP/ Divulgação
Espaço histórico de resistência cultural
A importância histórica do evento vai muito além da simples exibição de fitas estrangeiras, funcionando como um importante bastião de resistência democrática. A avaliação foi reforçada pelo apresentador Serginho Groisman, que acompanha o festival desde sua primeira edição e atua como mestre de cerimônias oficial da abertura.
“Vi a batalha do Leon Cakoff [fundador da Mostra] em transformá-la não só no lugar onde a gente entra e assiste a cinco filmes do mundo inteiro no mesmo dia, mas em um lugar assim de resistência. Foram muitas batalhas – e ele conseguiu fazer com que os filmes não passassem mais a ter censura prévia [como ocorria durante a ditadura], que é uma coisa muito importante”, pontuou.
Destaques da programação e cinema infantojuvenil
A seleção oficial deste ano traz grandes vencedores de premiações internacionais de prestígio, como o “Amor Possível” (premiado com o Leão de Prata no Festival de Veneza), o “Fjord” (vencedor da Palma de Ouro em Cannes) e o aclamado “Mulher Desconhecida” (Leão de Ouro em Veneza). A produção nacional também marca presença forte com o longa “Feito Pipa”, dirigido por Allan Deberton e escolhido para representar o Brasil na corrida pelo Oscar.
Pensando no público mais jovem, a tradicional Mostrinha chega à sua terceira edição consecutiva dentro do festival, ofertando 20 longas e um curta-metragem. Entre os principais atrativos está a exibição de “Clarice Vê Estrelas”, trabalho escrito e dirigido por Letícia Pires com base em sua própria obra literária. Segundo os organizadores, 16 dos títulos voltados para crianças e jovens são inéditos em território nacional.
Agência Brasil




