Famílias de comunidades quilombolas em Paracatu, Minas Gerais, buscam reparação judicial e acordos indenizatórios após serem expulsas de seus territórios tradicionais devido à instalação de estruturas de mineração de ouro e prata operadas pela multinacional canadense Kinross Gold Corporation.
H2: O impacto da exploração mineral em Paracatu
A disputa territorial envolve três comunidades locais: Machadinho, Amaros e São Domingos, totalizando cerca de 1,3 mil famílias afetadas pela perda de terras, destruição de modos de vida tradicionais e impactos socioambientais severos na região.
H3: Negociações lideradas pelo Ministério Público Federal
Representantes do Ministério Público Federal realizaram visitas e reuniões na região para avançar em tratativas com a empresa visando um acordo avaliado entre R$ 500 milhões e R$ 1,2 bilhão, com expectativa de desfecho para os próximos meses após a suspensão temporária de um julgamento no Tribunal Regional Federal.
As discussões envolvem o reconhecimento oficial dos territórios, o estabelecimento de critérios seguros para reassentamentos e o pagamento de compensações financeiras justas aos moradores que migraram para áreas urbanas e municípios vizinhos em situação de vulnerabilidade.
H2: Riscos ambientais e problemas de saúde
Além da desterritorialização, relatórios técnicos apontam que a poeira gerada pelas operações da mina Morro do Ouro afeta a saúde respiratória dos moradores locais, tendo sido detectados níveis elevados de arsênio em amostras biológicas e no material particulado em suspensão.
O complexo mineiro abriga volumes expressivos de rejeitos licenciados, gerando preocupações constantes entre os habitantes e lideranças comunitárias quanto à segurança ambiental e aos impactos diários na qualidade de vida da população do entorno.
H2: Preservação cultural e resistência comunitária
Apesar das perdas territoriais e dos processos judiciais prolongados desde 2009, os descendentes mantêm vivas manifestações culturais tradicionais, como a caretagem, preservando a memória ancestral e a identidade quilombola em meio aos desafios urbanos e sociais enfrentados nas últimas décadas.
Agência Brasil




