O setor agropecuário de Mato Grosso do Sul passou por uma transformação profunda nos últimos doze anos, registrando um avanço marcado não apenas pela expansão das lavouras, mas principalmente pela industrialização local e pela distribuição de riqueza aos moradores da região.
Crescimento expressivo nas lavouras e produtividade
Dados oficiais do Projeto SIGA indicam que, entre as safras 2017/18 e 2025/26, a área destinada ao plantio de soja no estado saltou de 2,70 milhões para 4,62 milhões de hectares, o que representa uma alta de 71,1%. A produtividade passou de 59,2 para 60,4 sacas por hectare, impulsionando a produção total em 74,7%, com um salto de 9,58 milhões para 16,74 milhões de toneladas no período.
A força da agregação de valor e da agroindustrialização
O modelo econômico baseado exclusivamente no binômio boi e soja deu lugar a uma cesta de produtos muito mais diversificada, onde o foco principal passou a ser a transformação da matéria-prima antes de sua exportação.
O ex-secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Verruck, aponta que o orçamento estadual passou de R$ 12 bilhões para R$ 25 bilhões ao longo de doze anos, reflexo direto do beneficiamento local.
“A agroindustrialização faz com que a gente gere massa salarial, aumento da renda média e mais tributos. É a famosa agregação de valor”, leciona Jaime.
Atualmente, a celulose lidera as exportações do estado como um produto totalmente industrializado, seguida pela soja em grãos e pela carne bovina, que ainda demanda maiores níveis de beneficiamento.
Para ilustrar o impacto econômico desse processo, o ex-gestor compara a exportação de eucalipto em forma de cavaco com a fabricação de celulose, destacando que a conversão industrial gera milhares de postos de trabalho e movimenta o comércio.
“Só que esse produto [a celulose] deixou 8 mil empregos no setor, deixou tributo, deixou impacto no comércio local”, explicou Jaime sobre o chamado ”efeito multiplicador”.
Efeito multiplicador e atração de investimentos
A expansão da cadeia produtiva também fortalece setores de apoio, como o armazenamento de grãos, a manutenção de maquinário e o aproveitamento de subprodutos. Um exemplo claro é o uso do milho tanto na alimentação de aves quanto na fabricação de etanol, cujo resíduo (DDG) serve como insumo proteico para a pecuária.
Segundo o ex-secretário, a consolidação desse cenário foi possível graças a políticas de incentivo fiscal e à estabilidade institucional oferecida aos investidores.
”Fundamentalmente, gera emprego. MS teve o maior crescimento da indústria de transformação dos últimos 10 anos. E teve o maior crescimento da renda média oriundo do setor industrial”, garantiu Verruck.
Tecnologia e novas apostas no campo
O administrador e consultor Aldo Barrigose reforça a análise sobre o avanço tecnológico, destacando o impacto do chamado Vale da Celulose e a vantagem competitiva do estado no cultivo de eucalipto.
”Mostra que MS tem terra superagricultável, que produz matéria-prima, a qual é industrializada e exportada com valor agregado e uso de tecnologia”.
Além disso, Barrigose pontua que o rebanho bovino e a área de pastagem registraram redução na última década, mas a produção de proteína animal aumentou consideravelmente devido à tecnificação do setor. Novas apostas, como a citricultura, também ganham espaço e prometem ampliar ainda mais a industrialização de alimentos em solo sul-mato-grossense.
Área de manejo reduziu, mas produção aumentou, diz Aldo Barrigose (Foto: Famasul)
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