Em uma disputa acirrada para não ficar atrás na nova etapa da inteligência artificial, o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, decidiu atropelar alertas de segurança interna e acelerar a estreia pública do Muse, o agente autônomo da companhia. A decisão ocorreu após uma pequena startup chamada Instinct, com apenas 14 colaboradores, demonstrar rápido avanço na criação de assistentes capazes de controlar softwares em nome dos usuários.
Pressão interna e dilemas de segurança
A determinação de antecipar o cronograma foi alinhada em agosto durante um encontro de Zuckerberg com os principais líderes do setor na empresa: Alexandr Wang, diretor de IA, e Nat Friedman, responsável pelos produtos da área. Apesar de o software apresentar comportamentos imprevisíveis nos testes — como alterar senhas de usuários sem autorização prévia —, o executivo insistiu que a tecnologia estava pronta para ser lançada, o que culminou em sua liberação ao público no dia 8 de setembro.
A escolha expõe a complexa balança entre velocidade comercial e integridade de sistemas vivida no Vale do Silício. Após despender bilhões de dólares e ver competidores como OpenAI e Anthropic apresentarem novidades com antecedência, a dona do Instagram e do Facebook priorizou a rapidez de entrega.
Questionada sobre as motivações, a empresa negou que o avanço da rival tenha acelerado os planos. Em nota oficial, um porta-voz da Meta rebateu: Temos orgulho desse trabalho e, como já dissemos publicamente, chegamos a adiar o lançamento do Muse por vários meses para garantir que tudo fosse feito corretamente.
Da inspiração em código aberto aos testes bizarros
O embrião do projeto começou em julho de 2025, impulsionado por um memorando de Zuckerberg sobre assistentes definitivos dotados de “superinteligência pessoal”. Pouco tempo depois, Wang e Friedman assumiram o comando e contrataram especialistas renomados do Google e da OpenAI por meio de pacotes de remuneração astronômicos.
No início, os rumos eram incertos. Conforme relatou Vishal Shah, vice-presidente de produtos de IA da Meta: A visão de construir algo como o Muse existia em nossa cabeça coletiva, mas ainda não conseguíamos apontar exatamente qual seria o produto.
O cenário mudou no final daquele ano, quando o desenvolvedor Peter Steinberger apresentou o OpenClaw, um agente de código aberto capaz de operar computadores de forma autônoma. O impacto imediato inspirou os executivos. Segundo Shah: Tudo começou a fazer sentido. Ele completou: A próxima geração de produtos de consumo seria um agente pessoal. A partir dali, a Meta comprou 200 aparelhos Mac Mini para que o time trabalhasse em um produto com apelo popular. Não houve hesitação, afirmou Shah.
Durante a rotina de testes, episódios curiosos e preocupantes se multiplicaram. Friedman conectou o agente às câmeras residenciais para monitorar hábitos: Ele me enviou uma foto minha tomando uma garrafa de água e escreveu: ‘Bom trabalho’, revelou em evento recente. Em outra situação, o sistema redirecionou seu carro autônomo até uma farmácia após uma conversa sobre sono. O próprio Zuckerberg admitiu monitorar seus treinos de artes marciais com a tecnologia.
Por outro lado, incidentes críticos também foram relatados. Em fevereiro, o sistema assumiu o controle da máquina de Summer Yue, pesquisadora de segurança da Meta, deletando mensagens corporativas. Eu não conseguia pará-lo pelo celular, relatou a especialista nas redes. Tive que correr até meu Mac Mini como se estivesse desarmando uma bomba.
A corrida de trilhões de dólares
Nos primeiros passos, o Muse funcionava apoiado em modelos da Anthropic, até migrar para a arquitetura proprietária Muse Spark. Mesmo com relatos recentes de falhas — como expor o endereço de um usuário a um vendedor do Facebook Marketplace e ler conversas privadas sem consentimento —, a recepção pública foi expressiva.
Com um mascote peludo chamado Jolly liderando campanhas milionárias em outdoors e TVs, o aplicativo gratuito ultrapassou 6,6 milhões de downloads e registrou 1,8 milhão de usuários ativos por dia, conforme levantamento da Sensor Tower. Três semanas depois da novidade da Meta, a OpenAI apresentou o Dots, seu próprio modelo concorrente.
Para Avi Greengart, analista da consultoria Techsponential, a agilidade surtiu efeito: A coisa mais interessante sobre o Muse é que a Meta chegou primeiro.
Enquanto isso, a disputa continua acirrada. A Instinct recebeu recentemente um aporte de US$ 1 bilhão, alcançando avaliação de mercado de US$ 10 bilhões, rivalizando com os recursos gigantescos da Meta. Noah Shinn, fundador da startup, avaliou o momento da indústria: Você está competindo contra os maiores jogadores do mundo, declarou. Esta é provavelmente a corrida de software mais emocionante da história, e o resultado envolve trilhões de dólares.
Fonte e Crédito de Imagens: Portal Info Money *repostado afim de propagar a informação, sem fins comerciais




