Embora a imagem clássica do inseto traga listras amarelas e pretas acompanhadas do temido ferrão, a fauna conta com diversas espécies desprovidas desse mecanismo de defesa que se destacam pela produção de um líquido altamente valorizado no mercado. O quilo desse produto especial pode variar de R$ 600 a R$ 2,5 mil, dependendo diretamente da espécie responsável pela fabricação.
Importância ambiental e diversidade das colônias
Mais do que o retorno financeiro proporcionado pela meliponicultura, a atividade desempenha um papel ecológico fundamental. Durante a busca por alimento nas flores, esses insetos realizam o transporte de pólen, impulsionando a reprodução vegetal, a geração de frutos e sementes, além da preservação da biodiversidade local.
O universo dessas espécies nativas surpreende pela enorme variedade de tamanhos, colorações, hábitos e até mesmo pelos formatos de entrada das colônias. Enquanto certas vertentes geram um volume maior de mel, outras possuem uma oferta restrita, fator que impulsiona a valorização do produto final.
Incentivo à criação e conexão com a natureza
O cultivo pode ser iniciado de maneira acessível por meio da instalação de estruturas feitas com materiais reutilizados em locais apropriados, permitindo que os próprios insetos encontrem abrigo e formem novos enxames sem a necessidade de retirada de ninhos silvestres.
Para Bruno Abreu, do Meliponário Abreu, o contato com as abelhas acaba transformando também a relação das pessoas com o ambiente. Ele conta que ao observar quais flores elas visitam, passa a prestar mais atenção nas árvores, nas épocas de florada e nas plantas que podem oferecer alimento às colônias.
A famosa espécie jataí, cientificamente conhecida como Tetragonisca angustula, ilustra bem essa riqueza natural. “Seu mel desperta interesse não apenas pelo sabor e pela produção limitada, mas também pelas suas características particulares. O mel de jataí e de outras abelhas sem ferrão tem sido estudado por suas características físico-químicas, microbiológicas e pela presença de compostos bioativos”, explica Bruno.
Programação do evento em Campo Grande
A iniciativa vai muito além da extração do adoçante natural, englobando a comercialização regulamentada de colônias, a fabricação de caixas e acessórios para manejo, e o aproveitamento de itens como cera e pólen. “Há ainda quem mantenha as colônias por hobby, conservação, observação ou simplesmente pelo interesse em conhecer diferentes espécies. Cada uma tem comportamentos próprios, o que faz do acompanhamento das colônias uma atividade que pode se transformar em paixão”, relata o criador.
A programação do encontro abordará tópicos como identificação taxonômica, genética, técnicas de manejo, multiplicação de enxames, profilaxia contra patógenos, atração de novas colônias e conservação ecológica.
Bruno explica que a ideia é aproximar tanto quem já trabalha ou mantém abelhas quanto quem nunca teve contato com a meliponicultura. Não é preciso ser criador para participar. “A ideia do Meliponário Abreu é justamente aproximar quem já vive a meliponicultura de quem ainda está descobrindo esse universo. Quem sabe o visitante que chegar apenas curioso para descobrir que ‘bichinho’ está vivendo no muro de casa não saia de lá olhando para as flores de outra maneira, e até pensando em montar a primeira casinha para as abelhas?”, conclui.
O 1º Encontro ASFMS de Meliponicultores de Mato Grosso do Sul acontece no dia 15 de novembro, a partir das 17h, na Rua Assaré, número 308, bairro Pioneiros, nas proximidades da nova rodoviária da capital sul-mato-grossense. A participação é aberta ao público e totalmente gratuita.
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Crédito de imagem e vídeo: Divulgação / Meliponário Abreu
Fonte e Crédito de Imagens: Portal TopMidiaNews *repostado afim de propagar a informação, sem fins comerciais




