A sobrevivência de Christa Pike à tentativa de execução por injeção letal ocorrida na semana passada em uma penitenciária no Tennessee, nos Estados Unidos, foi classificada por sua tia como um “ato de Deus”. A detenta de 50 anos tornou-se a primeira pessoa a resistir ao procedimento no país, despertando forte repercussão familiar e jurídica.
Reação da família e isolamento hospitalar
Carrie Ross, tia que ajudou a criar Christa e a “ama como a uma filha”, defende que a execução seja cancelada permanentemente. “Quando Deus coloca a mão sobre alguém, é Deus quem está no controle”, disse Ross ao “Daily Mail”. “Não o Departamento de Correções, não nós, mas Deus”, acrescentou ela.
A parente relatou que os familiares não conseguiram contato com a condenada desde que ela recuperou a consciência no hospital na última terça-feira (6/10). Atualmente, Christa consegue falar e caminhar, mas permanece algemada ao leito na maior parte do tempo. “Tem sido uma montanha-russa. Chorei mais na última semana do que em toda a minha vida. Esta semana toda parece um borrão”, desabafou Carrie.
Situação jurídica e estado de saúde
Durante audiência em um tribunal nesta quarta-feira (7/10), o procurador-geral adjunto do Tennessee, John W. Ayers, informou que o estado não tem, no momento, nenhuma ordem de execução pendente para a detenta, embora não tenha esclarecido se a pena capital será remarcada.
De acordo com Luke Ihnen, um dos advogados de Christa, “o Estado não fez nenhuma promessa de que a Sra. Pike não será submetida a uma execução futura”. A equipe jurídica atua para garantir a preservação de registros médicos e documentos, considerados “relevantes para qualquer contestação futura que ela venha a apresentar”. Atualmente, a detenta enfrenta problemas de saúde, incluindo pneumonia, um coágulo sanguíneo nos braços e dificuldade para se alimentar.
Prévio à tentativa de execução, a defesa acionou a Suprema Corte argumentando que a cliente sofria de transtorno de estresse pós-traumático e enfrentaria “sofrimento mental severo e terror psicológico adicional”. Os pedidos para que a equipe de execução fosse composta apenas por mulheres ou para que o método fosse alterado para enforcamento — prática não utilizada no estado desde o século passado — foram negados.
O crime de 1995
Christa Pike foi condenada pelo assassinato de Colleen Slemmer, ocorrido em 1995. Na época com 18 anos, Christa, o então namorado Tadaryl Shipp e a amiga Shadolla Peterson torturaram e espancaram até a morte Colleen, de 19 anos. O casal levou um pedaço do crânio da vítima como “lembrança”. A Promotoria apontou que o crime foi motivado pelo temor de que a rival estivesse tentando “roubar o seu namorado”, enquanto Tadaryl teria participado para demonstrar lealdade.
Tadaryl Shipp cumpre prisão perpétua, com acréscimo de 25 anos à pena após tentar estrangular outro detento em 2004. Já Shadolla Peterson obteve liberdade condicional após colaborar como informante para o estado durante as investigações. May Martinez, mãe de Colleen Slemmer, declarou publicamente acreditar que o governo estadual não tentará aplicar novamente a pena capital no caso.
Fonte: Portal Extra




