A pioneira na introdução de veículos de origem asiática no país voltou a enfrentar turbulências econômicas severas. O Grupo SHC, liderado pelo empresário Sergio Habib, protocolou um novo pedido de recuperação judicial na justiça brasileira, acumulando débitos que chegam a r$ 239,5 milhões no processo, pouco mais de um ano após o encerramento da primeira reestruturação financeira.
Histórico de reestruturações e o passivo atual
Esta é a segunda vez que a companhia busca proteção judicial para reorganizar suas contas. O primeiro processo teve início em 2018, quando as obrigações financeiras superavam a marca de r$ 517 milhões, sendo encerrado oficialmente em maio de 2025. No entanto, apenas dezessete meses depois, a situação insustentável forçou o grupo a retornar aos tribunais.
Do montante incluído na atual ação, cerca de 97% referem-se a compromissos com instituições bancárias e fundos de investimento. Além disso, existem outros r$ 130,7 milhões em débitos que ficam de fora do escopo principal, elevando o passivo total da operação para aproximadamente r$ 370 milhões, enquanto as obrigações trabalhistas somam perto de r$ 2,7 milhões.
Queda drástica de emplacamentos e encolhimento da rede
A derrocada financeira caminha lado a lado com a perda significativa de espaço no mercado nacional. Ao longo de 2025, a montadora contabilizou apenas 988 emplacamentos de veículos leves, o que representou um tombo de 51,1% frente às 2.022 unidades comercializadas no ano anterior. Entre janeiro e setembro de 2026, o volume despencou ainda mais, registrando somente 373 unidades.
Como consequência direta dessa retração, a estrutura física encolheu drasticamente. Atualmente, a empresa opera com apenas três concessionárias físicas — localizadas em São Paulo, Curitiba e Porto Alegre —, além de contar com 142 oficinas credenciadas para atendimento em território nacional.
Mudança estratégica e o impacto da concorrência
A trajetória da marca no país começou em 2011, abrindo caminho para que gigantes como BYD e GWM desembarcassem posteriormente no mercado brasileiro. Contudo, a intensa disputa comercial alterou o panorama, fazendo com que a gestão optasse por uma operação mais enxuta, focando o comércio no ambiente digital e nas picapes, com destaque para a Hunter a diesel.
O catálogo de produtos também sofreu reduções drásticas com a descontinuação de veículos como o E-JS4 e o E-J7, além da incerteza que ronda o modelo E-JS1. A montadora chegou a importar lotes do E-JS3 com a intenção de concorrer diretamente no segmento dominado pelo BYD Dolphin, mas acabou cancelando o lançamento, atribuindo o recuo às estratégias comerciais adotadas pela rival.
Fonte: Portal Canal Tech




