Hoje vamos de passarinhos. É que outro dia saí para comprar pão e me deparei com dois passarinhos de penugem amarelada no muro do estacionamento da padaria. Na hora, pensei: “Droga, queria ter um padaria perto de casa para ir a pé e voltar com o saco de pão numa das mãos e o jornal na outra. Nada mais conservador do que isso”. Mas aí me dei conta de que, caramba!, a gente precisa voltar a falar dos passarinhos.
É que você sabe e, se não sabe, fica sabendo agora que os cronistas de antigamente eram dados a falar de auroras e mulheres bonitas – e também de árvores frutíferas e passarinhos. Mas o tempo passou, o jornalismo mudou, a atmosfera se encrespou e o leitor se embruteceu (não o culpo). E os passarinhos, que antes viviam engaiolados, mas cantando, cantando, mas engaiolados, ganharam liberdade. Sem falar que hoje a vida urge mais do que antigamente.
Pardalzinho
De modo que ninguém está nem aí para os passarinhos. A não ser que sejam tucanos, talvez. Tanto que o fato de eu vir aqui hoje ocupar seu tempo com esse assunto provavelmente está sendo visto como uma temeridade e uma estupidez por alguns. Por todos? Ah, desculpe. Mas, já que você chegou até aqui, continue, porque quero contar que outro dia vi beija-flores e sabiás. Ou seriam joões-de-barro? Vejo com frequência também quero-queros. Mas prefiro maritacas. Andorinhas faz tempo que não vejo.
Sei que estão todos muito ocupados com os escândalos do momento. Todos estão muito entretidos se indignando com Gilmar Mendes. Ou Lula. Mas, se calhar de um mero pardalzinho ficar parado na sua frente e te olhar daquele jeito entre o curioso e o assustado, dê ao passarinho um mínimo de atenção. Perceba nele a beleza da Criação. Permita-se refletir sobre leveza, liberdade e ornitologia. Nem que seja por um segundo, antes de voltar a passar raiva com a sabatina do Bessias no Senado.
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