Uma falha na interpretação das informações levou a Justiça Eleitoral a divulgar incorretamente que mais de 4 mil seções de votação teriam alterado de endereço entre o primeiro e o segundo turno do pleito deste ano.
Correção e dados atualizados
O equívoco aconteceu após uma comparação equivocada com o histórico da eleição de 2024, conforme esclarecimento oficial. A assessoria de imprensa do Tribunal Superior Eleitoral admitiu que houve falha operacional por parte dos Tribunais Regionais Eleitorais na alimentação do sistema informatizado.
“Esse número de 4.352 seções alteradas é irreal. Não ocorreram alterações de locais em 4.352 seções do 1º para o 2º turno no Brasil inteiro. Foi uma verificação equivocada desse dado. Esse dado de 4,3 mil seções alteradas é de 2024 para 2026”, afirmou o desembargador Carlos Roberto Silva, presidente do Colégio de Presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais (Coptrel).
O quantitativo correto foi revisado para 343 seções modificadas para a votação marcada para o próximo domingo (25). Durante a abertura da sessão plenária do Tribunal Superior Eleitoral, o presidente da corte, ministro Kássio Nunes Marques, detalhou o comportamento decrescente dos registros no sistema.
“Há uma necessidade de revisitação de toda a situação anterior ao primeiro turno. Então, ele [o número] vem, muito provavelmente, e é o que está acontecendo, caindo”, disse o ministro.
Divergências nos sistemas regionais
O magistrado exemplificou a inconsistência citando que o sistema ELO apontava 38 alterações em Minas Gerais, enquanto o tribunal estadual contabilizava apenas 17. No Piauí, a divergência apontava 18 mudanças no sistema central contra quatro confirmadas regionalmente.
“No caso do Piauí, no sistema ELO, constam 18, mas o TRE já nos comunicou que apenas quatro locais de votação foram alterados”, acrescentou Nunes Marques.
As modificações de endereços partem de solicitações de juízes de cartórios eleitorais motivadas por problemas estruturais ou climáticos. Apesar dos ajustes, o balanço atual aponta uma retração de 85% nas alterações de urnas em comparação com o pleito de 2022.
Procedimento rotineiro e segurança
Especialistas reforçam que a movimentação de locais de votação integra a rotina operacional da Justiça Eleitoral em todo o país, contando com ampla divulgação prévia e sinalização física nos endereços antigos.
“Os juízes eleitorais divulgam, por todos os meios de comunicação, quando isso acontece e colocam avisos nos locais antigos, onde houve a mudança. Há sempre uma faixa avisando o novo local. Não há prejuízo aos eleitores, não há nenhuma situação de insegurança, é rotina”, declarou Carlos Roberto Silva.
O magistrado destacou ainda que rádios locais transmitem avisos constantes e que imprevistos climáticos de última hora ainda podem provocar ajustes pontuais e excepcionais até o dia do pleito.
Diante da circulação de links falsos e mensagens apócrifas em redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas, a recomendação é estritamente consultar apenas os canais oficiais da Justiça Eleitoral, como o aplicativo e-Título ou os portais institucionais autorizados.
Agência Brasil




