O Comitê de Supervisão da Meta, organização independente responsável por monitorar as plataformas da gigante tecnológica, apontou nesta terça-feira (20) que constatou falhas recorrentes na aplicação de regras voltadas à integridade eleitoral. As críticas se concentram na circulação de materiais sobre as disputas presidenciais brasileiras e também alcançam as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.
Problemas na moderação e impactos políticos
Segundo o colegiado, os erros operacionais costumam ocorrer em dois extremos durante períodos de alta tensão democrática: a fiscalização excessivamente severa, que acaba silenciando debates legítimos, e a fiscalização frouxa, que prejudica a lisura do pleito. O grupo ressaltou o caso ocorrido no Brasil, envolvendo restrições técnicas e de impulsionamento aplicadas à conta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa o cargo contra Flávio Bolsonaro (PL).
Em nota oficial, o colegiado declarou: “Da remoção de contas de ativistas políticos durante protestos nos Estados Unidos, às vésperas das eleições de meio de mandato, às restrições técnicas que atingiram as contas de um candidato à Presidência no Brasil, dando origem a acusações de interferência eleitoral, está claro que a Meta precisa fazer mais para garantir que suas práticas de aplicação das regras durante as eleições sejam transparentes e consistentes e que o discurso político seja protegido, em vez de silenciado”. O órgão complementou sobre o episódio nacional: “A aplicação excessivamente rigorosa das políticas antifraude da Meta às contas de anúncios do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, representa uma falha que deveria ter sido encaminhada a uma equipe interna de especialistas responsáveis pela análise de casos”.
Defesa da empresa e protestos nas ruas
Em resposta oficial enviada na noite de segunda-feira (19) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Meta negou qualquer tipo de favorecimento a campanhas. O posicionamento foi exigido pelo ministro Marco Aurélio Bellizze, após questionamento da coligação Brasil Pronto pra Mais, que apontou supostas vantagens para o adversário Flávio Bolsonaro. No documento enviado à Justiça, a corporação afirmou que “os conteúdos relativos às duas candidaturas são tratados de forma igual e não discriminatória” e acrescentou que um relatório técnico anexado aos autos “descreve o mecanismo que assegura essa isonomia”.
Enquanto os trâmites judiciais ocorriam, manifestantes realizaram protestos na tarde de segunda-feira na zona oeste de São Paulo, em frente às sedes da Meta e do Google. Munidos do slogan “Meta, não se meta”, os manifestantes criticaram a suposta censura a ativistas, a ausência de imparcialidade na curadoria de publicações e a gestão de comunidades online.
Cobrança por indicadores transparentes
Para o conselho supervisor, a falta de métricas claras para mensurar a eficácia das diretrizes eleitorais continua sendo um problema crítico na gestão das redes sociais. A cobrança por dados públicos mais detalhados já havia sido feita em 2022.
No comunicado recente, o órgão reforçou a exigência: “Embora a Meta frequentemente cite indicadores gerais de atividade, como o número de anúncios armazenados ou de contas removidas, a empresa ainda não estabeleceu indicadores públicos que avaliem de forma transparente a eficácia de suas medidas de aplicação das regras — nem suas deficiências mais críticas. Isso precisa mudar”.
Agência Brasil




