As exportações brasileiras para o bloco europeu registraram um crescimento expressivo de 30,7% entre maio e setembro deste ano, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O impulso nos negócios foi impulsionado pelo acordo comercial firmado entre o Mercosul e a União Europeia, conforme dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços durante evento realizado em Brasília.
Crescimento no acumulado do ano
Considerando o período consolidado de janeiro a setembro, as vendas externas do Brasil destinadas à União Europeia alcançaram a marca de US$ 44,17 bilhões. Esse montante representa uma expansão de 20% em relação aos nove primeiros meses do ano anterior, refletindo o fortalecimento das relações comerciais internacionais do país.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, ressaltou os impactos positivos do tratado e confirmou que o comércio bilateral entre as nações do Mercosul e os países europeus aumentou em mais de US$ 6 bilhões desde a aprovação e entrada em vigor provisória do pacto, ocorrida em 1º de maio, após quase 27 anos de negociações.
“As exportações brasileiras tiveram uma alta de 10,4% em 2026. Só o acordo Mercosul-União Europeia, de maio até agora, significou uma expansão de 30% das nossas exportações”, declarou Vieira.
Avanço na agropecuária e comércio exterior
Durante a cerimônia, o ministro Márcio Elias Rosa pontuou que o avanço das vendas externas brasileiras ultrapassa os limites do setor agrícola, registrando um crescimento médio de 10,5% em um cenário global marcado por barreiras comerciais e tensões geopolíticas. O titular da pasta atribuiu os resultados à competitividade das empresas nacionais e aos esforços governamentais na diplomacia comercial.
“É a pungência do setor privado e a capacidade do setor privado de expandir, sobretudo no agro. A missão número um da nova industrialização do Brasil envolve justamente a agroindústria”, afirmou o ministro.
Ao abordar o cenário econômico envolvendo os Estados Unidos, Elias Rosa classificou o momento como “delicado”, mas reforçou a importância do diálogo contínuo. “Mas não sairemos do diálogo da negociação”, disse.
Novos mercados internacionais
A divulgação dos índices econômicos integrou uma solenidade no Ministério da Agricultura e Pecuária para celebrar a abertura de 700 novos mercados internacionais para mercadorias agropecuárias do Brasil desde o início de 2023. As conquistas comerciais abrangeram 99 destinos, incluindo países e blocos econômicos, após a obtenção de liberações sanitárias oficiais.
O ministro da Agricultura, André de Paula, enfatizou a dimensão do resultado obtido e fez um comparativo com a gestão passada. “Foram 700 aberturas de mercado contra 241 do governo anterior”, afirmou.
O titular da Agricultura também projetou um cenário otimista para o setor produtivo nacional. “Planejamos chegar a 29% do PIB agropecuário neste ano. A safra 2026/27 deve ter 366 milhões de toneladas”, acrescentou.
Projeções e investimentos no setor rural
Estimativas da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos apontam que o país comercializou US$ 5,8 bilhões para os novos destinos abertos desde 2023, com uma projeção de faturamento de US$ 80 bilhões nesses locais nos próximos quatro anos. O Brasil também projeta encerrar o ciclo atual consolidado como o principal exportador mundial de alimentos.
“Exportamos US$ 169 bilhões no acumulado do ano, US$ 2 bilhões abaixo dos Estados Unidos, mas terminaremos o ano como maior exportador de alimentos”, declarou André de Paula.
Para sustentar a produção no campo, o governo federal destinou recursos expressivos por meio de políticas de crédito. “Este governo investiu mais de R$ 610 bilhões no Plano Safra atual para agricultura empresarial e familiar. Nos quatro anos de governo Lula, foram investidos mais de R$ 1 trilhão. Isso dá conta da importância que conferimos ao agro brasileiro”, concluiu o ministro, citando ainda a autorização da China para embarques de miúdos suínos.
Agência Brasil




