Parlamentares, autoridades governamentais e líderes do setor produtivo se reuniram em uma sessão solene no Congresso Nacional para debater a relevância do país na garantia da segurança alimentar mundial. O evento, realizado no Plenário do Senado, prestou homenagem ao Dia Mundial da Alimentação. A discussão teve como pano de fundo a campanha da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
Inovação e sustentabilidade no campo
A condução dos trabalhos ficou a cargo da senadora Tereza Cristina, que apontou a tecnologia como motor para o avanço da agropecuária nacional e ressaltou o compromisso ambiental do setor produtivo brasileiro.
“A agricultura tropical brasileira é um exemplo vivo, ao longo das últimas décadas, de como a ciência, a inovação e a tecnologia transformaram o Brasil em campeão mundial de produção e exportação de alimentos”, afirmou a senadora.
Complementando o raciocínio, o senador Jayme Campos chamou atenção para a capilaridade da cadeia produtiva, englobando desde o trabalhador rural até o comerciante e o transportador, fundamentais para a economia.
“O Brasil tem muito que se orgulhar quando o assunto é produção de alimentos. Somos uma das maiores potências agrícolas do mundo, um país que, com trabalho, tecnologia, pesquisa e empreendedorismo, transformou sua vocação produtiva em uma das maiores forças da economia nacional”, disse.
Impacto econômico da agroindústria
Representando o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Julia Cortez apresentou dados expressivos sobre a participação do setor no cenário econômico brasileiro durante o ano anterior.
“A gente está diante de um exemplo para o mundo de como é que não só a gente faz a produção de alimentos de forma responsável, de forma diversificada, mas também como é que a gente distribui os benefícios dessa produção ao longo da cadeia”, disse.
Desafios globais e combate à fome
O cenário internacional e as projeções futuras de demanda por mantimentos estiveram no centro dos debates apresentados pelo representante do Ministério da Agricultura e Pecuária, Cleber Oliveira Soares. Segundo as projeções oficiais, o planeta exigirá um volume muito maior de grãos e proteínas nas próximas décadas para suprir a escassez de alimentos.
“Quando nós produzimos, quando nós exportamos, além de gerar renda, riqueza e prosperidade para o nosso país, nós contribuímos para reduzir a insegurança alimentar do planeta”, afirmou.
Por sua vez, o representante do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Osmar Junior, pontuou que o volume exportado precisa vir acompanhado de medidas internas que facilitem o acesso da população carente aos mantimentos.
Na mesma linha, Humberto Miranda Oliveira, dirigente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, destacou a necessidade de alinhar o incentivo à produção com o poder de compra das famílias.
“A fome não se combate apenas alimentando a produção. É preciso também combater a pobreza, ampliar as oportunidades de trabalho e garantir condições para que os alimentos cheguem a preços acessíveis à população. Precisamos de políticas públicas que caminhem juntas: de um lado, estimular a produção sustentável, a produtividade e a competitividade do agro, do outro, promover o crescimento econômico, o emprego e a renda, com responsabilidade fiscal e estabilidade”, disse.
Cooperação institucional
A necessidade de união entre diferentes esferas da sociedade foi reforçada pela representante da Anvisa, Daniela Marreco Cerqueira, ao tratar dos padrões sanitários e dos sistemas de abastecimento.
“Esses espaços de diálogo são fundamentais porque os desafios relacionados à alimentação não podem ser enfrentados por uma única instituição, eles exigem cooperação entre governo, setor produtivo, academia, sociedade civil e esse Congresso Nacional.”
A solenidade também contou com a presença de dirigentes de entidades representativas da indústria de alimentos, do setor de panificação e da indústria em geral, consolidando um debate amplo sobre o futuro da alimentação no Brasil e no mundo.
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