As companhias norte-standard se preparam para reportar novos saltos em seus balanços corporativos, tendo o desenvolvimento tecnológico como o principal motor dessa expansão financeira no período recente.
Concentração tecnológica nos resultados
Especialistas projetam uma expansão média de 31% nos lucros das empresas que compõem o índice S&P 500 em comparação ao mesmo intervalo do ano anterior. Desse total, dois terços do avanço vêm concentrados no setor tecnológico e nas principais referências do segmento, como Alphabet, Amazon.com e Meta, conforme levantamento liderado por Tajinder Dhillon, chefe de pesquisa de lucros e ações da LSEG.
O desempenho positivo das ações ligadas à tecnologia impulsionou o S&P 500 a patamares recordes antes do início oficial da temporada de balanços, que tradicionalmente começa com os relatórios de grandes instituições bancárias, a exemplo de JPMorgan Chase e Goldman Sachs.
“É tudo IA e, em menor grau, energia e materiais, mas isso se deve à geopolítica”, disse Sameer Samana, chefe de ações globais e ativos reais do Wells Fargo Investment Institute, acrescentando ainda: “Não me surpreenderia se 70% a 80% do crescimento pudesse ser atribuído à tecnologia e à IA.”
Impacto do petróleo e setores tradicionais
Outro destaque do período vem do segmento energético, cujos lucros devem registrar alta de aproximadamente 115% na mesma base de comparação. O movimento é reflexo direto da valorização de cerca de 30% nos preços do petróleo no mercado norte-americano durante o terceiro trimestre, impulsionada pelo conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Em contrapartida, áreas desvinculadas da tecnologia apresentam perspectivas modestas. “Quase tão revelador quanto isso é observar os setores que não têm nenhuma relação com a IA”, afirmou Sameer Samana, ao destacar o desempenho fraco projetado para bens de consumo básico e o mercado imobiliário.
Sustentabilidade do ciclo de alta
Apesar do otimismo, analistas questionam se o ritmo atual conseguirá superar o desempenho excepcional registrado no trimestre anterior, quando os lucros do S&P 500 saltaram quase 54% ano a ano, o patamar mais elevado desde 2021, segundo a LSEG.
“Uma preocupação dos investidores é que estamos nos aproximando do pico de crescimento dos lucros” para o ciclo atual, alertou Anthony Saglimbene, estrategista-chefe de mercado da Ameriprise Financial.
O especialista também ponderou sobre a dependência de investimentos massivos: “Grande parte desse movimento em torno da IA se baseia em gastos contínuos com investimentos em ativos fixos, e a cada trimestre que passa, à medida que elas continuam a investir, as taxas de rentabilidade exigidas ficam mais altas e o escrutínio se torna mais intenso.”
A fabricação de semicondutores continua entre os maiores beneficiados, com alta esperada de 136% nos lucros do trimestre. Movimentos recentes do mercado, como a previsão otimista da Micron e o acordo de fornecimento energético firmado pelo Google com a Constellation Energy, reforçam o apetite corporativo por infraestrutura tecnológica.
Por fim, os acionistas também devem monitorar os reflexos das taxas de juros elevadas e a alta nos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, pressionados por fatores inflacionários e tensões fiscais internacionais.
Fontes: LSEG, Wells Fargo Investment Institute e Ameriprise Financial. Imagem: Divulgação/Mercado Financeiro.
Fonte e Crédito de Imagens: Portal Info Money *repostasto afim de propagar a informação, sem fins comerciais




