“Hoje, sábado, sintonize 980 kilocyclos e ouça PRE 8, Sociedade Rádio Nacional, a grande estação do Rio de Janeiro” , diz o panfleto de estreia da emissora.
Do Rio de Janeiro, em 1936, para o Brasil e além. A Rádio Nacional fez e contou a história do país; construiu e transmitiu a identidade brasileira. E segue fazendo isso, há 90 anos.
Para marcar a data, a emissora estreou, nesta segunda-feira (15), um projeto que está à altura dessa longa caminhada. O documentário especial “90 anos em 90 histórias” terá episódios diários que resgatam personagens, acontecimentos e memórias da Nacional até 12 de setembro, dia de estreia da aniversariante.
▶️ Ouça o primeiro episódio da série – 90 anos em 90 histórias: o nascimento da Rádio Nacional
Pedacinhos da grande colcha de retalhos que os jornalistas Guilherme Strozi e Raquel Júnia, autores da série, construíram.
De acordo com Guilherme Strozi, a curadoria de tantas histórias envolveu busca por personagens ainda vivos, livros, documentários e uma boa garimpagem em acervos.
“Resgatar os arquivos dentro dos acervos é um enorme desafio, porque muitos arquivos se perderam ao longo do tempo. E aí uma parte engraçada na pesquisa é perceber que os ouvintes da Nacional também são fontes de pesquisa, porque muitos deles gravaram entrevistas e programas por anos”.
Foi criada até uma campanha para ouvintes participarem. O primeiro passo é escrever um e-mail para nacional90@ebc.com.br.
Os episódios contam tanto a história da Nacional como a do Brasil, já que, segundo Strozi, a rádio se mistura à formação da identidade cultural brasileira.
“É claro que teve uma priorização do eixo Sudeste, principalmente do Rio de Janeiro, que era a capital federal e sede da Nacional. Por isso a massificação de, por exemplo, times de futebol do Rio para o Brasil inteiro. Mas sempre houve a sensibilidade de captar no esporte, na rádio novela, no jornalismo e na música fenômenos que ultrapassavam o Rio de Janeiro. E que tinham na Rádio Nacional, então, um veículo a ser buscado para se tornar nacionalmente conhecido”.
Raquel Júnia conta que um dos desafios é apresentar a Nacional para além da Era de Ouro do Rádio.
“Nós temos muito conhecimento, temos mais material preservado da chamada Era de Ouro do Rádio. Exatamente a ideia é a sequência, porque a Nacional continua aqui. E ela acabou sendo reflexo dos inúmeros momentos políticos do país, então a gente passa por todos eles e vamos juntando as peças, porque é um quebra-cabeça que ainda não terminou de ser montado, ele continua sendo montado neste momento”.
Documentação da própria história
O então gerente-executivo de rádios, hoje diretor-geral da EBC, Thiago Regotto, idealizou a série. Ele conta que, quando a equipe discutia as formas de celebrar esse marco de 90 anos, percebeu que a emissora que documentou a história do Brasil nunca tinha falado de forma aprofundada sobre ela própria.
“A gente dá apoio para diversos pesquisadores, produtores realizarem material sobre a Rádio Nacional, mas a gente só produziu às vezes uma reportagem, um interprograma, e não uma série que realmente se aprofundasse na história dela de forma cronológica”.
A Nacional nasceu no Rio de Janeiro, foi pioneira em Brasília na AM e na FM, alcançou o Brasil pelas ondas curtas, na Amazônia. Chegou a ser a maior emissora do país e uma das maiores do mundo. Segundo Regotto, hoje tem presença, pela Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP), em todas as capitais do país. E tem peso dentro e fora do Brasil.
“A Nacional, hoje, pode ser considerada a maior rádio pública da América Latina. Historicamente ela tá dentro das 10 emissoras que fizeram história no Brasil, e a gente tem ainda muita coisa bonita para construir nos próximos anos da Rádio Nacional, colocando ela cada vez mais na vida dos brasileiros”.
Como acompanhar
A série vai ao ar todos os dias, em toda a cadeia Nacional, às 10h e às 20h no horário de Brasília. As edições também são publicadas na Radioagência Nacional e no site da Rádio Nacional.
Créditos completos da série:
Este episódio contou com pesquisa e trechos do livro “Rádio Nacional: O Brasil em Sintonia”, de Luiz Carlos Saroldi e Sônia Virgínia Moreira. As locuções são de Guilherme Strozi e Raquel Júnia. Cezar Faccioli faz a voz de Gilberto de Andrade e Cynthia Cruz, do panfleto de época. A produção e roteiro são de Cezar Faccioli, Guilherme Strozi e Raquel Júnia. A pesquisa é de Aline Brettas, Maria Carnevale, Mariana Nazareth e Thiago Guimarães. Os trabalhos técnicos são de Jaime Batista, Lucas Alexandre, Lucia Safatle, Márcio Freitas, Marcos Inácio, Rafael Espíndola, Rafael Napoleão e Rafael Thomaz. A montagem, sonoplastia e mixagem é de Jailton Sodré. Concepção da série: Thiago Regotto.
Créditos Rádio Nacional/ Agência Brasil

















