O candidato de direita nacionalista Abelardo de la Espriella e o senador Iván Cepeda, candidato do presidente esquerdista Gustavo Petro, foram os mais votados no primeiro turno na eleição presidencial na Colômbia, realizado no domingo (31), e disputarão em 21 de junho quem será o mandatário colombiano até 2030.
O advogado Abelardo de la Espriella, de 47 anos, criou o movimento Defensores da Pátria e é comparado com o presidente argentino, Javier Milei, por defender propostas de liberdade econômica e corte de gastos públicos. Outra semelhança é que o animal-símbolo da sua campanha é o tigre – na corrida vitoriosa pela Casa Rosada em 2023, Milei adotou o leão como “mascote”.
Outras pautas conservadoras que ele defende são as restrições ao aborto e “mão de ferro” contra o crime organizado, o que rendeu outra comparação, com o presidente salvadorenho, Nayib Bukele.
Extremamente crítico ao atual presidente esquerdista da Colômbia, Espriella escreveu em uma mensagem no X em 2024 que Petro dá sinal verde para “toda a macabra cadeia das drogas: desde permitir o plantio, não combater a produção e deixar que seus parceiros do cartel a comercializem, até consumi-las”.
Porém, Espriella tem suas próprias controvérsias. Ele foi criticado por ter proposto a legalização de 10% do dinheiro proveniente do narcotráfico e de outros crimes na Colômbia.
“Por que não legalizar 10% do capital ilegal que existe atualmente na Colômbia devido ao narcotráfico, à mineração ilegal e a todos os tipos de crimes? Por que não podemos fazer isso com a mineração ilegal, os traficantes de drogas e outros criminosos?”, disse, em entrevista à revista Semana.
No seu trabalho como advogado, Espriella foi questionado por ter defendido o ex-senador e ex-presidente da Federação Colombiana de Pecuaristas (Fedegán) Jorge Visbal, preso este ano após sua condenação a nove anos de prisão, por acusações de ligações com o grupo paramilitar Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), ter sido confirmada pela Corte Suprema de Justiça.
Porém, em 2009, a Procuradoria-Geral da Colômbia arquivou suas investigações sobre as supostas ligações de Espriella com as AUC e, em 2017, sobre supostas tentativas dele de extorquir os paramilitares.
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O advogado também representou o empresário Alex Saab, apontado como testa de ferro do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, e David Murcia Guzmán, fundador da empresa DMG, acusada de um esquema de pirâmide que fraudou mais de 200 mil poupadores.
No ano passado, respondendo a críticas sobre sua vida profissional feitas por Enrique Peñalosa, ex-prefeito de Bogotá, Espriella disse que sua atuação como advogado sempre seguiu parâmetros éticos e legais.
“Surpreende-me, respeitado Enrique Peñalosa, que, sendo um homem tão culto e experiente, o senhor continue a confundir o advogado com o cliente. Só para que o senhor fique tranquilo: nunca fui punido, nem criminalmente nem disciplinarmente, pelo meu trabalho como advogado de defesa. De qualquer forma, respeito a sua opinião”, escreveu no X.
A respeito de Saab, o Defensores da Pátria alegou em comunicado que Espriella defendeu o empresário “quando ainda não havia nenhum sinal de relações com o regime de Maduro” e que o advogado deixou de representá-lo quando ele se negou a colaborar com a agência antidrogas dos Estados Unidos (DEA, na sigla em inglês).
Iván Cepeda, candidato do presidente esquerdista Gustavo Petro, de 63 anos, é filho do ex-senador Manuel Cepeda, assassinado em 1994 em uma onda de violência na qual foram mortos vários políticos do extinto partido de esquerda União Patriótica (UP).
Ele estudou filosofia na Universidade de São Clemente de Ohrid, em Sofia, na Bulgária, e foi filiado ao Partido Comunista Colombiano e à UP antes de ingressar na Aliança Democrática M-19, partido que teve origem no grupo guerrilheiro Movimento 19 de abril (M-19), do qual Petro fez parte. Depois, foi integrante do Polo Democrático Alternativo, que em 2025 se uniu a outros três partidos de esquerda para formar o Pacto Histórico.
Cepeda foi professor universitário e ativista de direitos humanos antes de ingressar na política, a princípio como deputado nacional (2010-2014) e depois como senador, cargo que ocupa há 12 anos.
Ele atuou nas negociações de paz com os grupos guerrilheiros Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc, acordo assinado em 2016) e Exército de Libertação Nacional (ELN) e tem como grande adversário político o ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010).
Cepeda acusou o ex-mandatário conservador de violações de direitos humanos durante seu governo e de ligações com grupos paramilitares de direita, enquanto Uribe disse que o senador esquerdista teria vínculos com as Farc e suas dissidências.
No ano passado, Uribe foi condenado a 12 anos de prisão por acusações de suposta manipulação de testemunhas, em um caso que começou a tramitar na Justiça colombiana quando ele denunciou Cepeda justamente por manipular testemunhas. Um tribunal superior revogou a condenação de Uribe, mas um recurso está tramitando na Corte Suprema de Justiça da Colômbia.
Para comprovar a ligação de Cepeda com as Farc, Uribe apresentou em 2020 um e-mail que alegou ter sido extraído de computadores de Raúl Reyes, ex-integrante do grupo guerrilheiro. Na suposta mensagem, o senador esquerdista era mencionado como “aliado”.
Em resposta, Cepeda disse que o conteúdo dos computadores de Reyes não foi validado pela Justiça colombiana e que o teor das mensagens pode ter sido adulterado por funcionários do governo Uribe condenados por escutas telefônicas ilegais.
No ano passado, a senadora Paloma Valencia, que foi candidata do partido de Uribe à presidência no primeiro turno, reiterou as acusações do ex-presidente, dizendo que Cepeda foi visto conversando com ex-líderes das Farc, como Jesús Santrich.
“Essa é a campanha da extrema esquerda, a esquerda que persegue o presidente Álvaro Uribe e os líderes de outros partidos, a esquerda que protegeu a Segunda Marquetalia [dissidência das Farc]. Lembro-me de Iván Cepeda procurando Jesús Santrich na prisão, inventando a teoria de [que foi vítima de] uma armadilha. Deixaram esses dois bandidos saírem livres; eles deveriam estar em prisões nos Estados Unidos”, acusou Valencia na ocasião, segundo informações do site Infobae.
Cepeda prometeu processar todos que o acusarem de ter ligações com as Farc. “Não responderei com insultos ou impropérios, mas acredito ser necessário defender minha honra quando isso [ser acusado] acontecer”, afirmou.
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