A 4ª edição do leilão do programa Eco Invest Brasil destravou R$ 13,2 bilhões para projetos de bioeconomia, turismo sustentável e infraestrutura no país. Mais da metade desse valor, o equivalente a cerca de R$ 9 bilhões, foi alocada para investimentos na Amazônia Legal.
Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (25) em São Paulo (SP) pelos Ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima e pelo Ministério da Fazenda, por meio do Tesouro Nacional.
Anunciada durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), a 4ª edição é voltada para a bioeconomia, o turismo sustentável e a infraestrutura na Amazônia Legal.
O leilão recebeu propostas de oito instituições financeiras (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, ABC Brasil, Bradesco, BTG Pactual, Citibank, Itaú e Santander) e registrou demanda superior a R$ 7,1 bilhões em recursos catalíticos – um dinheiro geralmente vindo de investidores que não têm foco em lucro como bancos de fomento, governos ou investidores filantrópicos – com potencial para mobilizar mais de R$ 29 bilhões em investimentos.
Como resultado do leilão, R$ 3,1 bilhões foram homologados em capital catalítico da linha principal, a partir dos lances do ABC Brasil, Banco do Brasil, Bradesco e BTG Pactual. Esse montante deverá viabilizar cerca de R$ 13,2 bilhões em investimentos totais, incluindo R$ 7,2 bilhões com captação internacional.
“O 4º leilão, que trata da bioeconomia e da infraestrutura verde na Amazônia, é algo absolutamente inovador, impensável até pouco tempo atrás. É fantástica também a adesão do setor. Teremos investimentos estratégicos fundamentais”, disse o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco.
O Eco Invest atua na modalidade de blended finance, na qual os recursos públicos são combinados ao capital privado para reduzir riscos e atrair investidores. Nesse modelo, o capital catalítico entra para reduzir custos ou mitigar riscos, atraindo recursos privados em maior escala.
No caso desse programa, o Tesouro Nacional realiza empréstimos às instituições financeiras à taxa de 1% ao ano e, como contrapartida, exige que cada real emprestado pelo governo seja acompanhado por, no mínimo, três reais de capital privado – dos quais ao menos 60% devem ser provenientes de investidores estrangeiros.
Na prática, cada R$ 1 de recurso público catalisa R$ 3 privados, resultando em uma alavancagem de quatro vezes sobre o capital público aportado.
Eco Invest
O Eco Invest Brasil foi criado para facilitar a atração de investimentos privados estrangeiros para a transformação ecológica do país e faz parte do Plano de Transformação Ecológica do Brasil, que tem o objetivo de promover um novo modelo de desenvolvimento econômico mais inclusivo e sustentável.
De acordo com o governo, o programa combina instrumentos financeiros inovadores, redução de riscos e atração de investimentos de longo prazo para impulsionar a transição ecológica brasileira.
Com os quatro leilões realizados até agora – e que foram voltados para a transição energética, recuperação de terras degradadas e bioeconomia – o Eco Invest Brasil mobilizou mais de R$ 140 bilhões.
Na manhã desta segunda-feira (25), na capital paulista, o governo federal lançou o 5º leilão do programa, voltado para inovação e projetos relacionados a fertilizantes verdes, combustíveis verdes avançados, automação e inteligência artificial aplicada à indústria, beneficiamento de minerais críticos, sistemas de baterias e veículos elétricos, química verde, biomateriais e circularidade de resíduos minerais e industriais.
A expectativa do governo é de movimentar mais de R$ 50 bilhões com este leilão.
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