Operação Militar em Caracas: Queda de Maduro e a Nova Geopolítica de Washington


Jan 3, 2026 - 13:02

Operação Militar em Caracas: Queda de Maduro e a Nova Geopolítica de Washington ©Reprodução Getty Imagens/ Google

CARACAS / WASHINGTON – Em um movimento que redefine as relações hemisféricas, as Forças Armadas dos Estados Unidos executaram uma incursão terrestre em solo venezuelano neste sábado (3), resultando na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. A ação não é um evento isolado, mas o ápice da nova Estratégia de Segurança Nacional da administração Trump, que deslocou o eixo de prioridades de Washington da Europa e Oriente Médio para o continente americano.

A "Doutrina Donroe": O Retorno ao Intervencionismo

Conforme detalhado pelo portal El País, a Casa Branca resgatou e atualizou a centenária Doutrina Monroe. Sob o apelido de "Doutrina Donroe", o governo de Donald Trump estabeleceu que a América Latina é a prioridade absoluta. O documento de segurança nacional chega a prever a "decadência da civilização europeia" em menos de duas décadas, justificando o isolamento e o foco total no controle do Hemisfério Ocidental.

Os pilares dessa nova fase incluem: Uso de força para estancar fluxos em direção ao norte. Esforço para remover investimentos da China em infraestruturas estratégicas na região e militarização do combate aos cartéis com o uso de força letal sem necessidade de aval do Congresso.

O Cerco à Venezuela

A captura de Maduro é o desfecho de meses de escalada militar. Segundo o El País, a Marinha dos EUA já vinha operando intensamente no Caribe, onde destruiu dezenas de embarcações suspeitas de tráfico — resultando na morte de mais de 100 pessoas — e apreendeu navios petroleiros sob a justificativa de que a Venezuela se tornou um "narcoestado".

Para Washington, a queda do chavismo elimina um aliado estratégico de Moscou e Pequim nas Américas e abre caminho para a exploração de vastos recursos naturais, incluindo as maiores reservas de petróleo do mundo.

Alianças e Estados Vassalos

A nova estratégia codifica um sistema de "recompensas e punições" na região. Governos alinhados, como os de Javier Milei (Argentina), Nayib Bukele (El Salvador) e Daniel Noboa(Equador), receberam incentivos financeiros e redução de tarifas.

  • Líderes como Gustavo Petro (Colômbia) e Lula (Brasil) enfrentaram retórica agressiva e barreiras comerciais, evidenciando que a diplomacia agora é pautada estritamente pela afinidade ideológica e submissão aos interesses dos EUA.

Incertezas no Pós-Chavismo

Especialistas ouvidos pelo El País, como o acadêmico John Walsh e o ex-diplomata Jorge Heine, alertam para os riscos dessa "diplomacia das canhoneiras 2.0". O temor é que a Venezuela siga o precedente do Iraque, resultando em um cenário sangrento e custoso. Além disso, a exigência de Washington para que países latinos concedam contratos públicos a empresas americanas sem licitação reforça a percepção de uma política de "Estados vassalos".

Maduro e Flores estão agora a caminho de Nova York, onde enfrentarão acusações de narcoterrorismo e conspiração em um tribunal federal.