Quando eu soube da história da Ypê, que teve produtos recolhidos por ordem da Anvisa devido a uma bactéria, a primeira coisa que me ocorreu foi perguntar: desinfetante com bactéria? Isso é um paradoxo; desinfetante existe justamente para matar bactéria, como é que vai haver uma bactéria nadando lá no desinfetante? Ficamos pensando em sabotagem, qualquer coisa. Os produtos da empresa sediada em Amparo foram proibidos, mas depois a empresa conseguiu suspender a proibição.
A Ypê é um dos maiores fabricantes de desinfetantes, lava-louças e lava-roupas. Como os donos da empresa contribuíram para a campanha de Jair Bolsonaro em 2022, já se politizou tudo. Já imaginam que a Anvisa estaria dando um aviso para a próxima campanha eleitoral: “se patrocinar campanha de gente oposta a nós, vamos perseguir”. É o que ficou no ar.
Estão politizando tudo no Brasil. A Anvisa disse que vai rever o caso. Mas para isso terão de trocar a equipe, e aí vai ser necessário um exame para saber se a equipe é isenta. Mas a razão pela qual eu trouxe esse caso aqui é que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também entrou na discussão.
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Padilha, vocês se lembram, está sem visto para os Estados Unidos por causa do tráfico de escravos, os supostos médicos cubanos, que recebiam uma parcela mínima do salário enquanto o resto ia para a ditadura cubana, com a anuência, a concordância e provavelmente o estímulo do Brasil. O mesmo Brasil que recomendou à Odebrecht dar propina para a mulher do presidente do Peru, que hoje está abrigada em São Paulo – não sei quem está pagando, se somos nós ou não. O mesmo governo que patrocinou o Porto de Mariel, em Cuba, e obras e túneis lá na Venezuela. Governo que faz favores a ditaduras amigas – mas não podemos dizer que Lula é amigo do ditador; a Justiça proibiu, revogando a parte da Constituição que garante, no artigo 220, a liberdade de informação. Mas estou divagando.
Voltando ao ministro Alexandre Padilha, ele resolveu defender a Anvisa, dizendo que o caso da Ypê foi politizado na internet, que é uma barbaridade, que é desinformação. Mas a Anvisa é uma agência independente, ela não é vinculada ao Ministério da Saúde. Então, quando o ministro da Saúde vem a público defender a Anvisa e acusar a politização desse caso, é ele quem está politizando, tomando uma atitude política, ao assumir um assunto que é de uma agência independente.
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Deputado estadual petista corre risco de cassação por briga com manobrista
Vocês se lembram de Renato Freitas? Ele, quando era vereador em Curitiba, invadiu a igreja de Nossa Senhora do Rosário. Foi um sacrilégio. Ele foi cassado pela Câmara de Vereadores, mas o Supremo, novamente intervindo e interferindo no Poder Legislativo, anulou a cassação. Depois, ele se elegeu deputado estadual. E agora está correndo risco de ser cassado de novo, desta vez porque andou a socos e pontapés com um manobrista. Há também um outro pedido por causa de um protesto em um supermercado de Curitiba. A Comissão de Ética decidiu pela cassação por falta de decoro. Agora, o caso vai para a Comissão de Constituição e Justiça e, depois, para o plenário da Assembleia Legislativa.
Sempre digo que quem faz as leis e fiscaliza o governo tem de ser exemplo de decoro. Freitas é pré-candidato a deputado federal. Eu sei que falta muito decoro e muita conduta na política brasileira, mas espero que os eleitores, em outubro, façam uma filtragem e não deixem entrar (ou permanecer) gente de conduta indecorosa no Legislativo federal.
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