A seis meses das eleições que definirão sua permanência no poder, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou gestos para reposicionar sua imagem diante da queda de aprovação. Entre os novos figurinos adotados, destaca-se o de crítico da corrupção política, visando reconectar-se com eleitores.
Em discursos recentes, o presidente passou a adotar tom que busca dialogar com a crescente insatisfação popular. A retórica combina ataques a elites econômicas com críticas à “promiscuidade” e ao “balcão de negócios” da política, em uma inflexão que tensiona sua própria trajetória no sistema.
O reposicionamento ocorre na esteira de movimentos pragmáticos — e por vezes contraditórios — em relação à sua agenda original. Entre eles, a revisão de pautas identitárias, como a linguagem neutra, e a desoneração de tributos para conter preços de combustíveis, que antes ele criticava.
A desaprovação ao governo de Lula é de 53,5%, segundo pesquisa realizada pelo instituto AtlasIntel/Bloomberg. A aprovação soma 45,9% — apenas 0,6% dos entrevistados não souberam opinar. As entrevistas para a pesquisa foram coletadas entre 18 e 23 de março de 2026.
A AtlasIntel usou 5.028 respondentes recrutados digitalmente pela metodologia Atlas RDR, com margem de erro de 1 ponto percentual e nível de confiança de 95%. O levantamento da AtlasIntel está oficialmente registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04227/2026.
Inflexões e recuos indicam tentativa de recompor perdas na base eleitoral
Iniciativas para mudar a percepção do público em relação à sua imagem, incluindo recuos em regras tributárias sobre importados, mostram esforço para recompor pontes com eleitores de renda baixa e média. Esse público sensível à inflação tornou-se alvo da disputa com a oposição conservadora.
Ao mesmo tempo, Lula investe na construção de aparência mais dinâmica e enérgica. A estratégia busca neutralizar narrativas adversárias que exploram gafes e falas desconexas, sempre associando o presidente ao desgaste sofrido pelo americano Joe Biden, o que levou ao fim de seu ciclo político.
A combinação de comunicação simbólica e ajustes de discurso sugere haver um roteiro prévio elaborado pelo ministro da Comunicação, Sidônio Palmeira, com adoção de palavras-chave e gestos calculados. O objetivo é sustentar a imagem de líder experiente, mas capaz de representar ruptura e renovação.
Analistas veem ajuste de linguagem e fortes sinais de desgaste da imagem
Analistas ouvidos pela Gazeta do Povo avaliam que a mudança de fala de Lula reflete menos a revisão de convicções e mais a adaptação ao ambiente eleitoral competitivo. Ao tensionar a própria narrativa, ele testa os limites entre continuidade e ruptura, em busca de ampliar a sua base de apoio.
O consultor Marco Túlio Bertolino afirma que o presidente adota uma fórmula orientada por marketing político, alternando papéis conforme o público. Segundo ele, o modelo pode funcionar na TV, mas enfrenta maior resistência nas redes sociais, onde o confronto de narrativas é mais intenso.
Já o conselheiro empresarial Ismar Becker aponta “claros sinais de declínio de liderança” e “desconexão com a realidade socioeconômica do país”. Para ele, a perda de percepção do cotidiano da população e a falta de auxiliares capazes de lhe fazer alertas fragilizam a capacidade de resposta do governo.
Eleição presidencial de 2026 tende a ser decidida por margem estreita
Na avaliação do cientista político Leonardo Barreto, a disputa presidencial de 2026 tende a ter, de novo, desfecho nas urnas com uma vitória, seja lá de quem for, por uma margem muito apertada. De toda forma, ele nota que Lula parece não despertar, de um modo geral, o mesmo entusiasmo da eleição passada em seus seguidores, reforçando a competitividade do cenário atual.
Para Barreto, o ambiente político em Brasília já reflete essa percepção, com a eleição sendo tratada nos bastidores como definida por margens mínimas. Sendo essa disputa definida por poucos pontos percentuais, tal perfil deverá orientar as estratégias e as alianças ao longo das próximas semanas.
Nesse contexto, o esforço de reposicionamento de Lula se insere em uma corrida de alta incerteza. Mais do que redefinir discurso, o presidente busca reconstruir de forma atabalhoada a conexão com segmentos decisivos do eleitorado, num pleito que promete ser um dos mais disputados da história.
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