A Polícia Civil do Rio de Janeiro efetuou nesta sexta-feira (9) a prisão do pastor Rafael Átila Teles, apontado como autor de abusos sexuais contra ao menos nove crianças. As agressões teriam ocorrido ao longo de vários anos nos municípios de Nilópolis e São João de Meriti, situados na Baixada Fluminense.
Investigação e captura Após um ano de apurações conduzidas pelas autoridades policiais, o suspeito foi formalmente indiciado pelo crime de estupro de vulnerável. O mandado de prisão preventiva havia sido expedido pela Justiça no dia 29 de setembro.
O religioso foi localizado no município de Cardoso Moreira graças a uma operação conjunta entre agentes da Secretaria de Segurança Pública local e policiais militares. Na sequência, ele foi levado para a cidade de Italva e posteriormente apresentado na delegacia de Itaperuna, onde a ocorrência foi registrada. A expectativa das autoridades é de que ele seja transferido para uma unidade prisional na Região Metropolitana.
Relatos das vítimas e impacto familiar Uma das vítimas, atualmente com 18 anos, relatou que os episódios de violência começaram quando ela tinha apenas 6 anos de idade. Por ser parente da família, o pastor costumava buscá-la na escola. A jovem guardou o segredo por cerca de dez anos antes de procurar as autoridades, motivada pelo desejo de proteger outras pessoas.
“Era muito difícil na minha cabeça ver que, ao mesmo tempo, ele foi esse cara nojento e depois, quando eu cresci, ver que ele tinha essa característica de ser um pai de família, de ser um pastor. Então às vezes a gente fica incrédula, nem acredita”, relatou ela ao portal g1.
A mãe da jovem descobriu a situação somente no ano passado, durante uma reunião de familiares na qual outra parente também relatou ter sofrido abusos. De acordo com o relato, houve pressão para abafar o caso.
“Houve uma tentativa de silenciamento, de fazer com que a gente não falasse, que resolvesse tudo ali na conversa. Mas eu já estava decidida a denunciar porque, quando minha filha me contou, eu já entendi que havia outras vítimas”, disse a mãe ao g1.
Novas denúncias e impactos na saúde das crianças O avanço das investigações encorajou outras famílias a buscarem ajuda policial. A mãe de outra vítima destacou os reflexos emocionais e físicos apresentados pela filha, que tinha 6 anos na época dos abusos cometidos na residência do suspeito.
“Ela estava com depressão, com comportamentos agressivos, o cabelo dela estava começando a cair. Aí chegou um dia que ela relatou: ‘Mãe, eu fui abusada’. Foi um choque muito grande”, contou a mãe dessa outra vítima.
Outra mãe descreveu o desgaste emocional vivenciado desde que o caso veio à tona. “É uma dor imensurável. É um sentimento de impotência, de revolta. Eu espero que a justiça seja feita.”
Áudios e posicionamento da defesa O inquérito policial também conta com registros de áudio atribuídos ao investigado. Em uma das gravações obtidas durante as diligências, o homem menciona um episódio do passado e discute a possibilidade de se apresentar à Justiça.
“Eu tive que largar tudo por um erro que eu cometi há mais de 15 anos atrás. Eu não sou esse monstro que vocês estão pensando. Eu vou me entregar, vou pagar pelo erro que eu cometi. Estava doente e não sabia, mas depois eu nunca mais fiz isso, nunca mais toquei em ninguém”, afirma ele em um trecho.
Em nota oficial, a defesa técnica de Rafael Átila Teles declarou que ele nega todas as acusações e sustenta sua inocência. Os advogados argumentam que existem provas capazes de confrontar pontos centrais das acusações, as quais serão juntadas aos autos durante o andamento judicial. Como o processo tramita sob sigilo, órgãos como o Tribunal de Justiça e o Ministério Público não divulgaram informações adicionais.
Fonte e Crédito de Imagens: Portal Extra *repostado afim de propagar a informação, sem fins comerciais




