Ponta Grossa, nos Campos Gerais, recebe pela primeira vez o Elas São Tech, ambiente de encontro com foco no estímulo da participação ativa de mulheres nas carreiras de tecnologia. Integrando oficialmente a programação da InovaWeek 2026, o encontro será realizado entre os dias 25 e 29 de maio e deve reunir estudantes, empreendedoras, profissionais da área tech e lideranças empresariais em uma agenda voltada à diversidade, inovação e empreendedorismo feminino.
“O município vive um momento de forte crescimento, atento ao desenvolvimento tecnológico, ao empreendedorismo e à inovação, tornando-se um polo regional estratégico”, destaca Joaquim de Mira Jr., assessor de Relações Empresariais e Comunitárias da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) – Campus Ponta Grossa e coordenador-geral da comissão organizadora do InovaWeek.
A programação contará com debates sobre mulheres nas áreas STEAM (integração de conhecimentos de Artes, Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática), liderança feminina, inovação e o uso de tecnologias como inteligência artificial aplicada aos negócios. Entre as atividades previstas estão painéis, rodadas de conexão e networking.
A expectativa da organização é fortalecer o sentimento de pertencimento e incentivar novas trajetórias femininas dentro do universo da tecnologia. “Quando meninas e mulheres veem outras mulheres ocupando espaços de liderança, inovação e tecnologia, elas passam a enxergar essas possibilidades também para suas próprias trajetórias”, afirma Joaquim.
A escolha de Ponta Grossa para sediar a primeira edição do evento fora da capital simboliza o reconhecimento do crescimento tecnológico da cidade. O Elas São Tech chega com a missão de ampliar o debate sobre o protagonismo feminino em setores historicamente masculinos, especialmente o de tecnologia. O movimento nacional, ligado à Diretoria de Mulheres da Assespro-PR, atua para inspirar, capacitar e conectar mulheres nas áreas de tecnologia e inovação.
“A interiorização do Elas São Tech representa um passo importante para aproximar ainda mais mulheres do ecossistema de inovação. Ponta Grossa demonstra maturidade, potencial e um ambiente fértil para o desenvolvimento de talentos femininos na tecnologia”, afirma Adriano Krzyuy, representante da organização do evento.
No Brasil, mulheres ainda são minoria nas áreas de Tecnologia da Informação (TI), mas iniciativas de inclusão, capacitação e networking têm buscado mudar esse cenário e ampliar a presença feminina no setor.
No Paraná, estado que vem se destacando nacionalmente pelo incentivo à participação de mulheres na ciência, inovação e tecnologia, eventos e movimentos coletivos reforçam o protagonismo feminino e ajudam a construir novas oportunidades. Dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) apontam que as mulheres já representam cerca de 22% das lideranças de startups no Paraná. Além disso, iniciativas estaduais de formação em tecnologia, como o programa Talento Tech, registram maioria feminina entre os participantes.
Em Ponta Grossa, o crescimento da participação feminina em áreas como gestão, inovação, marketing, design e liderança empresarial acompanha a expansão do setor tecnológico da cidade. A presença feminina também ganha destaque no protagonismo político e institucional do município, atualmente comandado por uma prefeita em segundo mandato, além da crescente atuação de mulheres à frente de startups, hubs de inovação e projetos empreendedores.
Pelo mundo, a história ajuda a explicar a dimensão dessas contribuições. O orelhão, símbolo da telefonia pública brasileira, foi criado pela arquiteta chinesa-brasileira Chu Ming Silveira. Já a base tecnológica do wi-fi surgiu a partir das pesquisas da atriz e inventora Hedy Lamarr, que desenvolveu um sistema de comunicação por salto de frequência durante a Segunda Guerra Mundial. Outra contribuição marcante veio da química Stephanie Kwolek, responsável pela criação do Kevlar, fibra ultrarresistente utilizada até hoje em coletes à prova de bala, aeronaves e fibras ópticas.
“Mais do que discutir tecnologia, o Elas São Tech propõe conexões, referências e oportunidades. É um movimento que ajuda a construir um ambiente mais diverso, inovador e preparado para o futuro”, conclui o presidente da Assespro-PR.
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