Uma pequena criatura marinha de poucos milímetros intriga cientistas espanhóis ao fazer algo que parece impossível na natureza: voltar a um estágio jovem depois de atingir a fase adulta. Conhecida como água-viva imortal, a espécie Turritopsis dohrnii tornou-se referência em estudos sobre envelhecimento e regeneração por conseguir reiniciar o próprio ciclo de vida em vez de morrer por velhice.
Encontrada em mares temperados de diferentes regiões do planeta, essa água-viva pertence ao grupo dos cnidários, o mesmo de corais e anêmonas-do-mar.
Apesar do tamanho diminuto e da aparência quase transparente, seu comportamento biológico desafia o padrão mais comum entre os seres vivos e chama atenção de cientistas.
Como a água-viva imortal consegue “recomeçar” a vida?
O ciclo de vida tradicional das águas-vivas alterna entre o estágio de pólipo, que permanece fixo ao substrato, e o de medusa, fase livre e reprodutiva. No caso da Turritopsis dohrnii, esse processo pode funcionar como um ciclo contínuo.
Quando enfrenta situações de estresse, como falta de alimento, danos físicos ou mudanças ambientais, a medusa adulta encolhe e se transforma em uma estrutura semelhante a um cisto. A partir dessa reorganização, surgem novamente pólipos capazes de gerar novas medusas geneticamente idênticas.
Esse fenômeno envolve reprogramação celular. Células especializadas recuperam a capacidade de se transformar em outros tipos de tecido.
Um estudo publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), conduzido por Maria Pascual-Torner, Victor Quesada e colegas da Universidade de Oviedo, indica que a espécie é o único metazoário conhecido capaz de rejuvenescer repetidamente mesmo após a reprodução.
Imortalidade biológica com limites naturais
Por conseguir evitar o envelhecimento progressivo, essa espécie de água-viva é considerada biologicamente “imortal”. Isso significa que não possui um limite natural de vida definido pelo desgaste do organismo.
Na prática, porém, ela não vive para sempre. Na natureza, indivíduos podem morrer devido à predação, doenças ou alterações ambientais severas. A capacidade de reiniciar o ciclo pode ocorrer várias vezes, mas depende de condições que permitam a reversão.
O estudo genômico também identificou diferenças importantes em relação a espécies próximas consideradas mortais. Foram encontradas variantes e expansões de genes ligados ao reparo do DNA, manutenção dos telômeros, controle do ciclo celular e resposta ao estresse oxidativo.
Esses mecanismos ajudam a preservar a estabilidade genética e reduzir danos acumulados ao longo do tempo.
Embora alguns cnidários apresentem formas limitadas de reversão do desenvolvimento, apenas a Turritopsis dohrnii mantém elevada capacidade de rejuvenescimento mesmo depois da maturidade sexual.
O que essa descoberta revela sobre envelhecimento e ciência?
Durante o retorno ao estágio juvenil, os pesquisadores observaram ativação de vias associadas à pluripotência celular e silenciamento de conjuntos de genes ligados ao desenvolvimento, processos típicos de reprogramação biológica.
Compreender esses mecanismos ajuda a explicar como certos organismos conseguem reparar danos e manter a funcionalidade dos tecidos por mais tempo. Embora ainda não exista aplicação médica direta, o conhecimento pode orientar pesquisas sobre regeneração, doenças relacionadas à idade e estratégias para prolongar a saúde celular.
A existência de um animal capaz de reiniciar a própria trajetória biológica mostra que o envelhecimento não ocorre da mesma forma em todos os seres vivos e que os limites naturais da longevidade ainda estão longe de ser totalmente compreendidos.
Créditos Gazeta do Povo
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