Acre decreta emergência em cinco municípios após chuvas extremas e cheias históricas
O Governo do Acre declarou, nesta segunda-feira (29), situação de emergência de nível II em cinco municípios afetados por cheias provocadas por chuvas intensas. A decisão alcança Feijó, Plácido de Castro, Rio Branco, Santa Rosa do Purus e Tarauacá e foi formalizada pelo Decreto nº 11.812/2025, assinado pela governadora em exercício Mailza Assis da Silva e publicado em edição extraordinária do Diário Oficial do Estado.
O decreto aponta que os volumes de precipitação registrados em dezembro ultrapassaram com ampla margem os padrões históricos. Em Rio Branco, o acumulado mensal chegou a 483 milímetros, quase o dobro da média climatológica de 265 milímetros. Em apenas quatro dias, a capital recebeu 246 milímetros de chuva, quantidade superior à prevista para todo o mês.
O mesmo comportamento foi observado em Brasileia, onde o total de chuvas em dezembro atingiu 436,8 milímetros, cerca de 82% acima do esperado. Em um intervalo de 96 horas, o município concentrou 176 milímetros, o equivalente a dois terços da média mensal.
Além do excesso de chuva, o documento oficial destaca o transbordamento de rios e igarapés. Em Plácido de Castro, os igarapés Visionário e Santa Elena saíram do leito, isolando comunidades rurais como Ramal 58, Monte Alegre e Cabo Severino. Já em Feijó, Rio Branco, Santa Rosa do Purus e Tarauacá, os principais rios atingiram ou superaram as cotas de inundação.
Na manhã desta segunda-feira, o Rio Envira marcou 12,09 metros em Feijó. Em Rio Branco, o Rio Acre chegou a 14,94 metros. O Rio Purus atingiu 9,42 metros em Santa Rosa do Purus, enquanto o Rio Tarauacá alcançou 10,05 metros, todos acima dos níveis considerados críticos pelos órgãos de monitoramento.
A decisão do governo estadual também se apoia em alertas técnicos do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Os prognósticos indicam a persistência de chuvas acima da média e risco de novas elevações nos rios, especialmente nas bacias do Acre, Purus e Tarauacá, segundo modelos hidrológicos em acompanhamento.
Com a decretação da emergência, a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil assume a coordenação das ações de resposta, incluindo mobilização de equipes, envio de suprimentos, atendimento a comunidades isoladas e apoio operacional aos municípios. O órgão passa ainda a atuar como gestor orçamentário, com autorização para executar despesas relacionadas ao enfrentamento da crise.
O decreto permite a adoção imediata de medidas administrativas, como instalação de abrigos, ações de comunicação preventiva e, em situações de risco iminente, ingresso em imóveis para salvamento de pessoas ou evacuação forçada. A vigência da situação de emergência foi fixada em 180 dias.
Segundo o governo estadual, a medida busca acelerar a resposta institucional, reduzir danos sociais e garantir a manutenção de serviços essenciais, com prioridade para populações em situação de maior vulnerabilidade.