Atrasos salariais e falta de materiais agravam crise na Santa Casa de Campo Grande
Mais de 100 anestesistas avaliam deixar o hospital, enquanto cirurgiões cardíacos pediátricos já comunicaram desligamento
©Foto: Gerson Oliveira
A crise financeira da Santa Casa de Campo Grande se agravou nesta semana com a saída de cirurgiões cardíacos pediátricos que atuavam como Pessoa Jurídica (PJ). Desde 29 de julho, cirurgias eletivas e atendimentos ambulatoriais estão suspensos devido à falta de materiais e dificuldades na composição das equipes. Com o desligamento dos especialistas, crianças internadas no Centro de Terapia Intensiva (CTI) aguardam procedimentos cardíacos sem previsão de atendimento. A situação preocupa porque a Santa Casa é o único hospital de Mato Grosso do Sul habilitado pelo Ministério da Saúde para realizar cirurgias cardíacas pediátricas.
Outro ponto de alerta envolve os mais de 100 anestesistas que integram o quadro médico. Segundo o Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (Sinmed-MS), a categoria também avalia deixar o hospital diante da falta de insumos e dos salários atrasados, que já chegam a quatro meses. O presidente do Sinmed-MS, Marcelo Santana, afirmou que a saída dos anestesistas poderia provocar uma paralisação ampla, afetando cirurgias e exames invasivos. Uma assembleia com as equipes médicas está marcada para esta quarta-feira (9), às 19h30, na sede do sindicato. A Santa Casa foi procurada, mas não havia respondido até o fechamento.
MILTON DE SÁ, de CAMPO GRANDE(MS)