O futebol brasileiro consolidou uma hegemonia marcante na Copa Libertadores durante o século 21, acumulando 24 participações em finais e 14 títulos entre 2001 e 2025. Esse protagonismo continental, no entanto, esteve intimamente ligado ao mercado de apostas esportivas na última década, uma era que chega ao fim com as novas regras regulatórias do setor.
O fim dos patrocínios de apostas
Com a proibição estabelecida pela medida provisória que vedou a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas — cujo prazo final para adequação do mercado encerrou nesta segunda-feira, 5 —, os clubes nacionais deixam de exibir essas marcas em seus uniformes. A restrição interrompe uma trajetória de forte expansão comercial que acompanhou campanhas vitoriosas no torneio sul-americano.
A relação entre as empresas do ramo e as decisões da competição começou em 2019, quando o Flamengo estampou a marca Sportsbet.io na omoplata. O acordo inicial de julho daquele ano previa ações digitais por uma temporada, mas foi ampliado em outubro para incluir o uniforme, estipulando R$ 7 milhões anuais mais bonificações por desempenho.
A escalada das marcas nos uniformes
A partir desse primeiro passo, a presença das empresas cresceu rapidamente nas decisões continentais. Em 2020, o Santos chegou à final com a Casa de Apostas, seguido pelo retorno do Flamengo com a mesma parceira em 2021. Já em 2022, a decisão registrou um marco inédito com dois finalistas patrocinados pelo setor: o rubro-negro carioca com a Pixbet e o Athletico-PR com a Betsson.
O avanço também alcançou o espaço principal das camisas. Em 2021, Atlético-MG e Fluminense adotaram a Betano como patrocinadora máster, sendo que o tricolor carioca disputou a final de 2023 com a marca no peito, tornando-se o primeiro clube do país a alcançar essa etapa com uma bet como patrocinadora principal.
Valores recordes e expansão no brasil
A consolidação seguiu nas edições seguintes. Em 2024, Botafogo e Atlético-MG chegaram à decisão com Parimatch e Betano, respectivamente. O ciclo se repetiu em 2025 com Flamengo e Palmeiras exibindo Betano e Sportingbet.
Os montantes envolvidos dispararam nesse período. O contrato entre Palmeiras e Sportingbet substituiu a Crefisa com valores de até R$ 170 milhões por temporada, enquanto a troca da Pixbet pela Betano no Flamengo elevou o patrocínio máster para até R$ 268,5 milhões anuais. No total, o setor movimentou cerca de R$ 1,03 bilhão em contratos com equipes da Série A em 2025.
O domínio esportivo antes e depois
A ascensão comercial coincidiu com uma fase de amplo domínio técnico dos times brasileiros. Antes de 2019, o país já havia somado sete títulos e 12 participações em finais no século 21, conquistados por clubes como São Paulo, Internacional, Santos, Corinthians, Atlético-MG e Grêmio entre 2005 e 2017.
Contudo, entre 2019 e 2025, o desempenho atingiu 100% de aproveitamento nas taças disputadas e presença garantida em todas as sete decisões, com vitórias seguidas de Flamengo, Palmeiras, Fluminense e Botafogo. Embora a presença das marcas tenha crescido no mesmo intervalo, especialistas apontam que o recorte estatístico não estabelece uma relação direta de causa e efeito entre o aporte financeiro das bets e o sucesso esportivo em campo.
Fonte: Portal Info Money




