O custo da incerteza no mercado financeiro brasileiro registrou uma queda expressiva logo após a apuração das urnas do primeiro turno. Enquanto o cenário pré-votação era marcado por forte nervosismo nos contratos de derivativos, o cenário mudou drasticamente no primeiro pregão pós-eleição, aliviando o bolso dos investidores que buscavam proteção.
Entendendo a volatilidade implícita no mercado A volatilidade implícita, também conhecida como IV, funciona como uma métrica extraída diretamente do valor dos contratos derivativos. Ela reflete a intensidade das oscilações futuras que os investidores esperam para o ativo subjacente, o que impacta diretamente o prêmio cobrado pelas instituições, embora não sirva como uma ferramenta de previsão de alta ou de baixa.
Nas negociações anteriores ao pleito, a falta de clareza sobre o futuro político nacional inflacionou os preços dos contratos. Com o resultado conhecido, o mercado experimentou o chamado vol crush, expressão técnica que define a desvalorização repentina da volatilidade após a superação de um evento de alto risco.
Para Matheus Medeiros, o Madruga, analista da Nomos, o movimento pode ser tratado como um vol crush — expressão usada para descrever uma queda rápida da volatilidade implícita depois de um evento que concentrava incerteza. Segundo ele, o primeiro turno retirou parte relevante da incerteza que estava concentrada no curto prazo.
“O primeiro turno reduz a incerteza imediata, mas não elimina o risco eleitoral”, afirma.
Destaques nos ativos monitorados O Banco do Brasil liderou o movimento de ajuste entre os principais papéis acompanhados pelos analistas. Na última sessão da semana anterior, os derivativos do BBAS3 operavam com taxas próximas a 66%, desabando para a faixa entre 40% e 42% no início da semana útil seguinte.
Essa retração superior a 20 pontos percentuais superou o comportamento verificado no BOVA11 e nos papéis da petroleira estatal, evidenciando que a instituição financeira carregava uma margem de segurança muito mais esticada antes do pleito.
Apesar disso, especialistas lembram que a oscilação do banco não reflete apenas o cenário político. Em avaliações anteriores, Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, já havia destacado que BBAS3 também carrega fatores próprios, como qualidade do crédito, provisões e exposição ao agronegócio.
Comportamento dos preços à vista e derivativos Embora os ativos subjacentes tenham registrado valorizações expressivas no mercado à vista, a volatilidade dos contratos seguiu o caminho inverso, barateando a proteção.
No índice BOVA11, a taxa recuou de patamares próximos a 39% para a faixa de 25% a 26%. Já os papéis da Petrobras viram o indicador murchar de cerca de 47% para o intervalo de 34% a 36%, mantendo a preferência por contratos de venda com taxas ligeiramente acima das opções de compra.
Perspectivas para o segundo turno A grande questão que fica para os próximos dias é se o risco foi realmente neutralizado ou apenas transferido para prazos mais distantes. O comportamento dos contratos com vencimento em novembro, que já englobam a totalidade do calendário eleitoral, demonstra estabilidade e afasta a tese de migração maciça de risco para o futuro.
A movimentação inicial confirmou a previsão de descompressão dos prêmios, mas o mercado segue em observação para detectar novos sinais de estresse à medida que a corrida rumo ao segundo turno avance.
Fonte: Portal Info Money




