O governo federal detectou 48 contas em plataformas de apostas de quota fixa que apresentam saldo superior a R$ 500 mil. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que esses CPFs serão submetidos a uma verificação detalhada e podem se tornar alvo de investigações oficiais. A revelação ocorreu durante a divulgação do balanço da primeira semana de fiscalização decorrente da medida provisória que restringe a oferta e a publicidade das bets no país.
Investigação de contas suspeitas
De acordo com a pasta econômica, o montante encontrado nessas 48 contas foge totalmente do padrão observado no restante da base de usuários que ainda mantinham recursos aplicados. Quando ocorre esse tipo de desvio estatístico expressivo, os dados são repassados imediatamente aos órgãos competentes para apuração.
— Há uma movimentação que discrepa do grosso das contas que tinham recurso em apostas e que pode, sim, estar sujeita a alguma investigação — afirmou o ministro.
O procedimento envolve o rastreamento da empresa operadora do site e da respectiva instituição de pagamento para o bloqueio dos valores. Ao término da fase administrativa, os montantes podem ser direcionados para ações de segurança pública.
Nova estrutura da Polícia Federal
O rastreamento financeiro coincide com a implementação de uma unidade permanente na Polícia Federal voltada ao combate à lavagem de dinheiro, estabelecida pelo Decreto nº 13.131/2026. A Coordenação-Geral de Repressão à Lavagem de Dinheiro e Recuperação de Ativos unifica inteligência financeira, investigação patrimonial e recuperação de bens.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública confirmou que a estrutura conta com divisões exclusivas para monitorar apostas ilegais, manipulação de resultados e o uso de criptomoedas por organizações criminosas.
— A Polícia Federal estará vigilante no que diz respeito à associação de bets e outros temas com o crime organizado — disse o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva.
Redução de saldos e prazo para saque
Desde 26 de setembro, dia seguinte à assinatura da MP, o volume financeiro dos apostadores retido nas plataformas teve queda de 30,99%, representando uma diminuição de R$ 652,6 milhões. Atualmente, restam R$ 1,33 bilhão nas mãos de 26,54 milhões de CPFs.
O prazo para que os usuários realizem o resgate diretamente nos sites autorizados termina às 23h59 desta segunda-feira. A partir de terça-feira, os sistemas deixam de operar.
— O jeito mais simples e fácil de a pessoa pegar o dinheiro de volta é entrar no site e retirar o recurso até dia 5, fim do dia — orientou Durigan.
Caso o saque não seja feito a tempo, o montante não é perdido. Entre os dias 7 e 8, as empresas repassarão os saldos por CPF aos bancos, que farão a devolução de 9 a 14 de outubro. Se houver entraves, os valores serão repassados à Caixa Econômica Federal.
— O recurso é sempre do apostador — reforçou o ministro da Fazenda.
Bloqueio de sites e publicidade ilegal
Entre 25 de setembro e 1º de outubro, 10.435 endereços eletrônicos irregulares foram encaminhados à Anatel para bloqueio. O governo também exigiu a exclusão de 3.040 páginas e perfis em redes sociais, além da remoção de 186 aplicativos nas lojas oficiais e notificações a oito grandes corporações de tecnologia para cessar a publicidade de apostas.
Fonte: Portal Info Money




