O Viva Maria se despede deste mês de maio, tradicionalmente conhecido como o “mês das mulheres” e das mães graças a uma associação histórica das mulheres à fertilidade. Para a Igreja Católica, ele é considerado o Mês de Maria. Por ser o símbolo máximo de pureza, amor e maternidade. Em razão de todas essas associações tanto do ponto de vista cultural como afetivo, Maio transformou-se em um mês de grande valorização da figura feminina.
Não por acaso, neste Maio Mulher, o governo federal priorizou o lançamento de uma Agenda Nacional de Luta alinhada ao Pacto Brasil Contra o Feminicídio, com ações que incluíram a Operação Mulher Segura, mobilizando forças policiais nos 27 estados da federação, a entrega de novas Casas da Mulher Brasileira e campanhas de prevenção nas escolas.
Apesar dos esforços, a violência contra a mulher segue fazendo vítimas em todo o país. Em Minas Gerais, a diarista Ana Cláudia da Silva Souza, de 41 anos, sobreviveu a uma brutal tentativa de feminicídio que chocou o Brasil.
O principal suspeito é Silvanildo Amâncio de Araújo, de 52 anos, ex-namorado da vítima. Segundo as investigações, ele teria empurrado Ana Cláudia de um penhasco de aproximadamente 50 metros de altura, na região do Parque Estadual da Serra do Rola-Moça, na Grande Belo Horizonte.
Em uma impressionante demonstração de resistência, Ana Cláudia permaneceu por mais de 25 horas agarrada a uma raiz na encosta do penhasco até ser localizada pelas equipes de resgate. A operação mobilizou helicópteros, drones e agentes de segurança. Quando foi encontrada, a vítima estava consciente e, após atendimento hospitalar, recebeu alta médica na noite da última quarta-feira.
Já o ex-companheiro foi preso em flagrante no município de Várzea da Palma, no Norte de Minas Gerais. A prisão ocorreu praticamente no mesmo momento em que Ana Cláudia era resgatada na Serra do Rola-Moça.
Ana Cláudia já havia registrado boletim de ocorrência por perseguição e ameaças, além de solicitar medida protetiva dias antes do ataque. No entanto, a proteção não chegou a tempo de evitar o crime.
O episódio reforça a necessidade de maior celeridade na atuação das autoridades diante de denúncias e ameaças que atingem milhares de mulheres diariamente no Brasil.
Maria Régia alerta para ampliação do debate sobre o enfrentamento à cultura machista, incluindo a participação dos homens nessa discussão.
Nesta edição, o Viva Maria recebe Silvia Ramos, cientista social, coordenadora da Rede de Observatórios da Segurança e diretora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec). Ela analisa os dados do Atlas da Violência 2026 e aponta fatores relacionados à permanência dos índices de violência contra a mulher no país.
Ao comentar os dados do Atlas da Violência 2026, Silvia Ramos destacou que o Brasil registrou 42.590 homicídios em 2024, segundo estatísticas oficiais da saúde, o que representa taxa de 20,1 casos por 100 mil habitantes e redução de 7,4% em relação ao ano anterior. No entanto, segundo ela, os índices de feminicídio permanecem estáveis.
Para a pesquisadora, houve avanços na legislação e na estrutura de proteção às mulheres, com a criação de delegacias especializadas, patrulhas Maria da Penha, medidas protetivas e leis específicas para o feminicídio, mas os números de mortes de mulheres por violência de gênero não apresentaram queda significativa.
Confira a entrevista no player.
Créditos Rádio Nacional/ Agência Brasil



















