O desempenho das forças conservadoras na primeira etapa da corrida presidencial brasileira ganhou ampla repercussão nos principais veículos de comunicação globais. A ida de Flávio Bolsonaro (PL) à frente na contagem de votos e o revés inesperado sofrido por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dominaram as manchetes estrangeiras, que projetam uma disputa acirrada e decisiva nas próximas semanas.
Visão da mídia norte-americana e britânica
Nos Estados Unidos, o jornal The New York Times ressaltou que a disputa segue aberta, mas pontuou a vantagem conquistada pelo candidato do PL. Segundo o periódico, “A acirrada eleição presidencial brasileira foi forçada a um segundo turno no domingo, segundo autoridades eleitorais, com o desafiante de direita liderando sobre o atual esquerdista em uma disputa apertada que pode ter consequências abrangentes muito além do país”.
Já o The Wall Street Journal avaliou que o senador superou o atual mandatário, “preparando um amargo segundo turno no Brasil” e impondo um caminho tortuoso para a tentativa de reeleição de Lula.
No Reino Unido, o The Guardian observou a força demonstrada pela oposição e classificou a reação petista como surpresa, citando que o presidente considerou o desfecho ‘inesperado’. De acordo com a publicação britânica, “Bolsonaro entrará no segundo turno como grande favorito e provavelmente será impulsionado pela migração de votos dos outros candidatos de direita da eleição, que incluíram Ronaldo Caiado, que obteve 2,1%, e Renan Santos, que obteve 2,2%”.
Repercussão nos jornais europeus
Em Portugal, o diário Público frisou o período de espera até a definição das urnas: “O atual Presidente, Lula da Silva, e o senador Flávio Bolsonaro vão disputar a segunda volta das eleições presidenciais, mas o candidato bolsonarista parte com vantagem, depois de ter sido o mais votado este domingo.”
Na França, a cobertura do Le Monde destacou a avaliação de Flávio de que “Lula pagou o preço pelo descontentamento dos eleitores” e retratou o clima de desolação entre os apoiadores governistas na capital fluminense. O correspondente registrou que, “na esplanada de paralelepípedos em frente ao Teatro Municipal do Rio de Janeiro, a reunião festiva organizada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) rapidamente se transformou em um comício melancólico”. O texto complementa a cena: “Vestidos de vermelho, apoiadores do presidente Lula, com rostos fechados e cerveja na mão, seguiram uma grande tela onde os resultados eram exibidos. Alguns analisavam nervosamente seus celulares para checar se os números eram reais. Outros enfrentaram os fatos: choravam ou seguravam a cabeça com as mãos.”
Ainda em território francês, o Les Echos pontuou a curta distância de dois pontos percentuais que garantiu a dianteira ao parlamentar, enfatizando que “A direita se beneficiou de uma verdadeira onda gigante no Congresso” e que o voto útil proveniente de outras legendas conservadoras foi determinante.
O alemão Der Spiegel apontou que “O último baluarte da esquerda na América do Sul está prestes a cair. A ultradireita consegue avançar nas eleições. Será difícil para o veterano político Lula: ele terá que ir ao segundo turno contra o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.” Na Espanha, o El País indicou que a tendência continental conservadora obteve uma vitória expressiva, registrando que “O herdeiro político do clã de extrema-direita liderou a contagem do começo ao fim contra um dos políticos mais influentes da América Latina deste século e que governou o Brasil por 11 anos.”
Análise dos vizinhos sul-americanos
Na Argentina, o jornal La Nación enfatizou que o embate ocorre “sob o olhar atento de Washington e com a possibilidade de consolidar definitivamente a mudança ideológica pela qual a região está passando”. O periódico acrescentou: “Se Bolsonaro vencer novamente no segundo turno, a América Latina confirmaria uma virada à direita que teve vitórias na Colômbia, Peru e Honduras no último ano, todas com o patrocínio direto ou indireto da Casa Branca de Donald Trump.”
O veículo também destacou os cumprimentos do presidente argentino, Javier Milei, que celebrou no X: “Parabéns, caro amigo Flavio Bolsonaro, por esta eleição histórica contra o comunista Lula. O continente americano é composto por cidadãos que querem viver em liberdade”.
Por fim, o Clarín descreveu o pleito como “uma reviravolta surpreendente e dramática nas eleições presidenciais brasileiras neste domingo”. O periódico argentino detalhou os números da apuração, em que Flávio obteve 47,05% frente a 45,13% de Lula, e registrou a fala do senador: “O Brasil quer uma mudança”.
Com um intervalo de três semanas pela frente, a imprensa de todo o globo mantém a atenção voltada ao cenário eleitoral do país, avaliando tanto a reorganização do eleitorado quanto os desdobramentos diplomáticos e econômicos que o novo mandato poderá trazer.
Fonte: Portal Info Money






