Enquanto a disputa pelas 70 vagas na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro consagrou representantes com centenas de milhares de votos, o extremo oposto da apuração revelou um cenário de desempenho eleitoral quase nulo. Entre os mais de 1,1 mil nomes registrados no pleito, cinco postulantes não conseguiram atingir sequer os dois dígitos nas urnas fluminenses.
Os nomes com menor votação no estado
A lanterna da corrida pelo parlamento estadual ficou com Roseli Silva (Democrata), que somou somente dois votos. Aos 53 anos e natural de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, ela disputava um cargo público pela primeira vez. Durante o período de campanha, a postulante utilizou o codinome de “Roseli da Luta” e contava com uma presença digital tímida, somando apenas cinco seguidores e uma publicação única em seu perfil no Instagram, sem veiculação de seu número eleitoral.
Logo atrás na contagem de votos aparece Patricia Tavares, correligionária de Roseli, com três votos computados. Patricia teve sua participação barrada pela Justiça Eleitoral, tendo o indeferimento ratificado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) em razão do descumprimento de exigências legais.
A relação dos cinco menos votados é completada por outros três concorrentes:
- Diogo Nascimento (Mobiliza): 8 votos
- Tio Edinho (Avante): 8 votos
- Saul Gualberto (Democrata): 9 votos
Entre eles, Diogo já havia disputado uma cadeira de vereador na capital em 2024, quando alcançou 215 sufrágios. Já no caso de Tio Edinho, o sistema do Tribunal Superior Eleitoral aponta ausência de prestação de contas, enquanto os demais concorrentes da lista não registraram repasses partidários nem doações financeiras.
Sigla alega escassez de recursos e nega candidaturas fictícias
Com três filiados figurando na lista dos menos votados, a direção estadual do Democrata atribui o resultado à ausência de infraestrutura financeira. O partido tinha previsão de acessar cerca de R$ 3,3 milhões via fundo eleitoral, mas o montante acabou bloqueado. O relator da matéria no Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, negou o repasse após manifestação do Ministério Público Eleitoral sobre pendências na prestação de contas de exercícios anteriores.
O vice-presidente regional da agremiação, Sidclei Bernardo, refutou a hipótese de uso de candidatas laranjas para bater a exigência legal de 30% de participação feminina.
— É a dificuldade (da campanha) mesmo. Não lançamos mulheres só para cumprir a cota. Se (a candidata) não tem engajamento partidário, preferimos diminuir o número de candidatos homens. Não queremos candidaturas laranjas — observa Sidclei. — O financeiro é o limitador.
O dirigente também apontou que a profissionalização da militância e a necessidade de verba para impulsionamento digital tornam a disputa desigual.
— A maioria dos candidatos mais bem votados são aqueles que mais investiram em rede social — completa Sidclei.
Centenas de postulantes abaixo dos três dígitos
O baixo rendimento nas urnas não se restringiu a esses cinco casos isolados. No total, 114 nomes não conseguiram romper a barreira dos 100 votos em todo o território fluminense. O Democrata concentrou o maior contingente nessa faixa, reunindo 20 candidatos. O grupo de legendas com mais concorrentes nessa faixa conta ainda com o Mobiliza (14), o Avante (13), a Democracia Cristã (11) e o Podemos (10).
Fonte e Crédito de Imagens: Portal Extra *repostado afim de propagar a informação, sem fins comerciais




