Ex-servidores do Banco Central revelam que a má reputação de Daniel Vorcaro já era conhecida em 2019. Mesmo com alertas de que ele era um “picareta”, a compra do Banco Máxima foi aprovada sob critérios técnicos e o auxílio de um diretor que agora é investigado pela Polícia Federal.
O que os técnicos do Banco Central sabiam sobre Daniel Vorcaro?
Relatos indicam que, dentro da instituição, a má fama do banqueiro e de sua família em Belo Horizonte era notória. Ex-integrantes da diretoria afirmam que ele era visto como um “picareta” e “golpista conhecido”. No entanto, esses problemas de reputação não foram formalizados nos documentos oficiais para barrar a compra do Banco Máxima na época, prevalecendo uma análise mais fria e técnica sobre os números e documentos apresentados.
Como a compra do banco foi aprovada se havia tanta desconfiança?
O processo foi complexo. Inicialmente, a gestão de Ilan Goldfajn negou a compra por falhas técnicas na comprovação da origem do dinheiro. Meses depois, já sob a presidência de Roberto Campos Neto, Vorcaro fez ajustes contábeis e regularizou pendências fiscais. Como não havia condenações judiciais definitivas contra ele naquele momento, o BC entendeu que não tinha base legal sólida para vetar a operação, temendo processos judiciais dos banqueiros.
Qual foi o papel do diretor investigado pela Polícia Federal?
Paulo Sérgio Neves de Souza, então diretor de fiscalização do Banco Central, participou da aprovação. Investigações recentes da PF apontam que ele teria sido cooptado por Vorcaro para fornecer informações privilegiadas sobre processos internos. A defesa do ex-diretor nega qualquer ilegalidade e afirma que a aprovação do negócio foi uma decisão coletiva da diretoria do banco, pautada pela proteção do sistema financeiro.
Por que o Banco Central preferiu salvar o banco a liquidá-lo?
O Banco Máxima, que depois se tornou Banco Master, tinha um rombo bilionário. Se o governo fechasse as portas da instituição (processo chamado de liquidação), o Fundo Garantidor de Créditos teria que pagar bilhões de reais aos correntistas. Para evitar esse custo enorme ao sistema financeiro, o BC frequentemente busca compradores no mercado para assumir bancos em crise, tentando uma solução privada antes de intervir radicalmente.
Quais são as acusações atuais contra o banqueiro Daniel Vorcaro?
Recentemente, Vorcaro foi preso novamente pela Polícia Federal. Ele é suspeito de liderar uma “milícia pessoal” para coagir testemunhas e desafetos, além de tentar atrapalhar investigações sobre fraudes financeiras. Seus negócios agora são alvos de investigações que envolvem desvios bilionários vinculados ao Banco de Brasília e ao INSS, o que levanta questionamentos sobre se o BC deveria ter sido mais rigoroso no passado.
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