Seu joelho dói mesmo quando está de repouso? Ou então você sente que eles estalam, rangem e até falham ao se movimentar? Atenção, pois isso pode ser um caso de osteoartrite, também chamada de artrose, uma doença incurável que desgasta as cartilagens das articulações, alterando as estruturas dos tecidos e causando inflamações.
Por sustentarem grande parte do peso corporal, o que os torna mais expostos ao estresse mecânico, os joelhos são as vítimas mais comuns da doença, que já atinge 15 milhões de brasileiros, o equivalente a 7% da população, segundo dados do Ministério da Saúde. Do total, a grande maioria são pessoas idosas, já que naturalmente sentem o envelhecimento da cartilagem e a dificuldade de reparação dos tecidos.
Dados da OMS divulgados no ano passado demonstram que a doença acomete cerca de 80% das pessoas com mais de 65 anos. Especialmente após a menopausa, mulheres em geral também se tornam mais vulneráveis à doença por conta das alterações hormonais. Além disso, fatores genéticos também podem influenciar. Um estudo publicado por pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e da Universidade Federal Fluminense, junto a membros do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia, identificou que pequenas alterações no DNA, chamadas de polimorfismos genéticos, podem ser um fator de risco. Foram três anos de análise e um total de 224 pacientes com médias de idade entre 64 anos com osteoartrite no joelho, avaliados de acordo com a gravidade da doença. Mais da metade tinha estatura inferior a 1,60 m e cerca de dois terços eram obesos ou tinham obesidade mórbida.
O médico Eduardo Branco é um dos autores do estudo. Ele explica que não há uma única causa para a doença.
“A doença, ela é complexa. Apesar de por muito tempo a gente ter associado a osteoartrite meramente à degeneração articular, a gente sabe que hoje existem componentes inflamatórios e metabólicos que estão associados à sua evolução. Então, a doença, tem alguns fatores de risco que são preveníveis e outros não. Alguns genes estão associados com a doença e isso ainda permanece desconhecido na sua maior parte até os dias de hoje”.
O médico explica que fatores genéticos e outros associados ao envelhecimento não podem ser modificados por se tratarem de processos naturais, mas há outros que podem.
“O principal fator modificável para osteoartrite é a obesidade. E isso explica também o aumento da prevalência da doença nos dias de hoje. E nesse mecanismo onde a inflamação e o metabolismo estão associados à doença, a obesidade ela começa a aparecer”.
Segundo a pesquisadora da UERJ, coautora do estudo, Jamille Perini, 39% do risco de desenvolver a doença está relacionado à herança genética. Em casos mais graves, esse percentual pode ultrapassar 50% e chegar a até 80% entre mulheres com mais de 50 anos. Ela explica que o estudo pode auxiliar na forma de tratamento ao rastrear possíveis grupos que tendem a sofrer com níveis graves da doença.
“Esses resultados podem contribuir no diagnóstico personalizado da osteoartrite, conseguindo identificar previamente, com o uso de um teste genético, os pacientes que podem apresentar risco de doença grave. Com essa informação genética, é possível adotar medidas preventivas, como o fortalecimento da musculatura do joelho com exercício físico, evitar a obesidade, além de orientar futuras diretrizes de tratamento individualizado”.
Apesar de incurável, existem diferentes formas de tratamento para a doença, a depender do local afetado, que garantem o alívio das dores e a melhora da qualidade de vida da população.
*Com supervisão de Nádia Faggiani
Créditos Rádio Nacional/ Agência Brasil




















