Escritórios de advocacia enfrentam o desafio de adaptar sua gestão financeira à Reforma Tributária em 2026. Embora a lei preveja um desconto de 30% nas novas alíquotas, a estrutura de custos do setor pode anular o benefício e elevar a carga real de impostos para muitos profissionais.
O que muda para os escritórios de advocacia com o novo sistema?
Os impostos atuais (PIS, Cofins e ISS) serão substituídos por dois novos tributos sobre o valor agregado: a CBS (federal) e o IBS (estadual e municipal). Esse modelo é baseado na não cumulatividade, o que significa que as empresas podem usar créditos de insumos comprados para abater no imposto final. O problema é que escritórios de advocacia vendem serviço intelectual e quase não compram insumos tributados, sobrando pouco crédito para abater.
O desconto de 30% na alíquota garante que o imposto não vai subir?
Não há garantia. Esse redutor é uma conquista importante para profissões regulamentadas, mas pode não ser suficiente para manter a carga atual. Como o principal custo de um escritório é a folha de pagamento e os salários não geram créditos tributários no novo sistema (IVA), o valor final a ser pago pode acabar sendo maior do que o atual, dependendo da organização financeira de cada banca.
Como será o cronograma de transição para as novas regras?
A mudança é gradual. Em 2026, começam os testes com alíquotas reduzidas. Em 2027, o PIS e a Cofins deixam de existir para dar lugar à CBS. Entre 2029 e 2032, ocorre a transição para o IBS, que substituirá o ISS municipal. A consolidação total do novo sistema está prevista apenas para 2033, mas os escritórios precisam conviver com ambos os modelos simultaneamente durante o período de transição.
Qual é a importância da escolha do regime tributário agora?
A decisão entre Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real deixará de ser baseada apenas no faturamento e passará a depender de simulações complexas. Escritórios no Simples, por exemplo, podem perder competitividade se não gerarem crédito integral para seus clientes empresariais. Já o Lucro Real pode se tornar vantajoso para quem tem margens de lucro menores, exigindo dados precisos para não perder dinheiro.
O que os advogados devem fazer para proteger seus lucros?
A gestão financeira baseada em dados torna-se obrigatória. É necessário organizar o plano de contas, manter o fluxo de caixa projetado e realizar simulações constantes antes de 2027. Erros simples, como um domicílio fiscal incorreto ou falhas na emissão de notas, podem resultar em impostos desnecessários. Antecipar o planejamento estratégico é a única forma de evitar que o aumento da carga tributária corroa o lucro do escritório.
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