A paternidade tem algo intrigante: os anos a fio não tornam um pai maduro automaticamente. Há pais maduros com 25 anos, e pais imaturos com 50.
Criar bem os filhos nada mais é do que colocar em prática os quatro pilares da paternidade: amar, prover, proteger e orientar. Um homem que já é avô, mas não conseguiu fazer isso, ainda é um pai imaturo.
A boa notícia é que, assim como a sabedoria, a maturidade pode ser alcançada em qualquer fase da vida. Mas há uma condição: humildade. Pais que se julgam acima da média e não reconhecem as próprias limitações correm o risco de viver um grande engano, com consequências diretas para os filhos.
Assim como o homem sábio entende que ainda não domina a sabedoria com excelência, o primeiro passo para quem almeja se tornar um pai mais maduro é reconhecer que tem falhas e um longo caminho de aprendizado pela frente. A partir daí, abre-se um horizonte para se tornar o pai que seus filhos precisam que ele seja.
De todo modo, se você clicou no link para ler este artigo, é muito provável que tenha a humildade necessária para se tornar um homem e um pai melhor. Essa luta é a minha também. Dito isso, vamos aos quatro erros clássicos de pais imaturos e a sugestões para corrigir a rota.
1. Criar os filhos exatamente da maneira como foi criado
Nós fomos criados da forma que nossos pais conseguiram, e nessa trajetória houve acertos e erros. Quando não diferenciamos claramente o que foi positivo e negativo, a tendência é reproduzir minuciosamente essa criação. O resultado é que, junto com o que foi bom, vêm também os vícios, os exageros, as contradições…
A verdade é que não há pais perfeitos, e faz parte da maturidade compreender que os nossos não acertaram em tudo, assim como eu e você também não vamos acertar.
Imagine um homem que criou os filhos com extrema dedicação para que nunca faltasse nada, mas que por outro lado nunca expressou afeto, nem participou do crescimento dos filhos apoiando e orientando. É muito provável que seu filho, na idade adulta, reproduza esse comportamento, porque aprendeu que é assim que um pai faz.
Como consequência, pode haver grande dificuldade para dizer um simples “eu te amo”, ou mesmo sentar e conversar com o filho adolescente, ajudando-o a lidar com o turbilhão de dúvidas e sentimentos próprios dessa fase.
Se nossos pais acertaram mais do que erraram, pode ser muito útil reproduzir esses comportamentos. Mas a tentação do “fui criado assim, então esse é o certo” também pode ser uma grande autossabotagem.
Pais maduros entendem a importância de manter o que deu certo, mas corrigem os rumos no que for necessário.
2. Querer que os filhos sejam cópias de si
Outra tentação perigosa que vem da falta de maturidade é querer que os filhos sejam minicópias do pai – que gostem de tudo o que ele gosta, reprovem tudo o que reprova, façam as coisas exatamente como ele faz e assim por diante.
Toda criança tem temperamento, personalidade e interesses próprios. Para que forme a própria identidade é preciso que tenha liberdade e incentivo para descobrir quem ela é. Caso contrário, aprenderá a se anular para se ajustar às expectativas dos pais.
É por isso que tantos jovens fazem a faculdade que os pais pediram e depois se descobrem infelizes, porque sua aptidão natural estava relacionada a uma área completamente diferente.
Talvez você aprecie um tipo de música, mas seu filho vai preferir outro. É possível que o esporte preferido dele seja diferente do seu. Você pode ter facilidade com alguns assuntos, mas seu filho terá com outros. Tudo isso é perfeitamente normal.
Vale dizer que o poder de influência de um pai é gigantesco, e grande parte dos seus interesses e da forma como faz as coisas serão naturalmente reproduzidos pelos filhos. Mas há um espaço de individualidade que precisa ser preservado e incentivado.
3. Educar no modo “8 ou 80”
No mundo corporativo, maus gestores tendem ao desequilíbrio. O líder fraco tenta ser sempre demasiadamente democrático, enquanto o imaturo tenta ser sempre firme. A liderança sábia, entretanto, está em alternar a postura de acordo com o contexto.
Na paternidade, a regra é a mesma: pais são líderes e precisam aprender a liderar de forma sábia.
Há aqueles que criam os filhos “a ferro e fogo”, sendo excessivamente rígidos. A rispidez vira regra, e broncas e repreensões se tornam hábito, mesmo quando a repreensão não se adequa à ocasião.
No outro extremo estão os pais que se esquivam de todo tipo de conflito. Querem ser os “amigões” dos filhos em vez de assumirem a responsabilidade que lhes cabe. Essa passividade cobra um preço: criar adultos sem limites, que não sabem lidar com “nãos” nem respeitar hierarquias, e que terão pela frente sérios impactos na vida pessoal e profissional.
Há casos em que a firmeza será necessária, e deixá-la de lado equivale à omissão. Mas também há momentos em que os filhos precisam apenas de acolhimento e orientação. Agir de acordo o que o contexto pede também é maturidade.
4. Tentar levar a vida igual antes de se tornar pai
Uma das maiores bênçãos na vida de um homem é a profunda mudança que acontece após se tornar pai. Viver bem a paternidade significa amadurecer em praticamente todas as áreas da vida, o que inclui relacionamentos, vida financeira e profissional.
Mas isso exige um entendimento básico: você não é mais o centro da sua vida. Agora você está em segundo plano, para que alguém menor e mais frágil seja priorizado até que tenha condições de cuidar de si mesmo, e isso leva um bom tempo.
Em outras palavras, será preciso fazer sacrifícios todos os dias – de tempo, dinheiro, descanso… De fato, a vida não será mais a mesma, e o quanto antes você aceitar essa nova realidade, melhor.
Mas isso, obviamente, não deve ser visto como algo negativo ou pesaroso. Não é à toa que a Bíblia diz que “os filhos são herança do Senhor, uma recompensa que Ele dá”. Há uma satisfação e um contentamento únicos que só são possíveis ao se tornar um pai de verdade, que busca amadurecer todos os dias. Faça sua parte!
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