Economistas, cientistas políticos, sociólogos e outros intelectuais vêm pesquisando e estudando, principalmente nos últimos 250 anos, quais são efetivamente as causas da riqueza das nações. Um dos principais pensadores econômicos, Adam Smith (1723-1790), publicou a obra A Riqueza das Nações em 1776, considerada pioneira na explicação dos fatores e condições sociais e políticas que levam as nações a atingir o desenvolvimento econômico e, por consequência, elevar o padrão de bem-estar social médio da população. Envolvida nessa questão, uma pergunta que se destaca é: por que alguns países conseguem crescer e obter elevado padrão de vida comparativo, enquanto outros se mantêm na pobreza, baixa renda por habitante e fracos indicadores sociais?
Não há uma resposta única. Pelo contrário, as causas que mantêm um país no atraso e na pobreza são várias, a começar pela qualidade das instituições, a cultura e as crenças da população e o comportamento do governo. A qualidade das instituições começa pela forma como funcionam a Justiça, o Poder Legislativo, o Poder Executivo, o Banco Central e os órgãos governamentais de atuação nacional. Há livros, pesquisas, teses universitárias e estudos diversos sobre a importância das instituições como causa essencial do crescimento econômico e desenvolvimento social. Alguns autores ganharam o Prêmio Nobel por trabalhos nessa área, como é o caso do economista Douglass North, premiado em 1993 com o Nobel por seus estudos sobre a qualidade das instituições como condição necessária ao desenvolvimento econômico e social.
Já está provado que há correlação entre confiança, crescimento econômico e desenvolvimento social, bem como entre desconfiança e atraso
Entre as condições para haver crescimento econômico capaz de elevar a renda por habitante o suficiente para elevar o país à condição de “desenvolvido” estão o direito de propriedade, legislação eficiente na garantia desse direito de propriedade, liberdade econômica, estabilidade econômica e monetária (sobretudo controle da inflação), garantia dos contratos juridicamente válidos, carga tributária simples e moderada, e Justiça rápida e eficaz. Porém, vale destacar que, para um país absorver as tecnologias modernas que surgem em fases de elevado nível de desenvolvimento tecnológico, uma condição essencial é a abertura ao exterior e ampliação da inserção nacional no comércio internacional de bens, capitais e tecnologia.
Um aspecto que merece destaque vem da história das nações desenvolvidas, a qual demonstra estar a prosperidade econômica diretamente vinculada ao grau de certeza sobre o comportamento esperado das pessoas, dos agentes de mercado e dos poderes constituídos. É essa certeza sobre o comportamento dos agentes públicos e privados e no funcionamento eficaz do Poder Judiciário na apuração e punição da violação das leis e dos contratos que age como um elemento decisivo na indução dos negócios e das atividades econômicas capazes de aumentar o nível de renda por habitante.
Nos países subdesenvolvidos, em geral é baixo o nível de confiança nas instituições, como também é baixo o grau de certeza quanto ao comportamento esperado das pessoas, do governo e das instituições. Há casos em que o grau de certeza é baixo e, em muitos casos, há certeza nos vícios das instituições e na crença de que tais instituições vão falhar e seguirão boicotando o progresso. No Brasil, é grande a crença da população de que o governo em todos os níveis seguirá inchado, ineficiente e corrupto, como ocorre atualmente com a descoberta de que a corrupção é endêmica e pega os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Ou seja, as certezas aqui são quanto aos vícios e fraudes, quando para haver progresso material e social seria necessário haver confiança nas instituições e certeza de que elas funcionarão a contento e contribuirão com o desenvolvimento econômico, social e ético.
Como agravante, neste Brasil de 2026, acrescentou-se mais uma fonte de incerteza e expectativa de que tudo pode piorar: trata-se da forma como a economia e a sociedade em geral serão tributadas a partir da reforma que entra em vigor com mais dúvidas que certezas sobre o funcionamento futuro dos impostos no país. Além disso, certa ou errada, a sociedade assumiu a crença de que a carga tributária vai aumentar e o país vai piorar sob o aumento do Estado gigante, ineficiente e corrupto nos três níveis da federação brasileira. Essa crença vem na esteira da realidade atual, em que a sociedade presencia diariamente o mau comportamento dos políticos, dirigentes e autoridades dos três poderes, revelados nos atos de fraudes, corrupção e distorções na aplicação da Constituição e das leis.
Já está provado que há correlação entre confiança, crescimento econômico e desenvolvimento social, bem como entre desconfiança e atraso. As fraudes e os diversos tipos de atos de corrupção e o baixo de grau de punição destroem a confiança da sociedade nas instituições, boicotam a possibilidade de prosperidade e dificultam o crescimento econômico. O Brasil foi longe demais na destruição da confiança popular nos três poderes e nas instituições em geral, com agravamento da redução da confiança no sistema judicial nos últimos anos. O efeito desse quadro geral é que a nação perde tempo e, apesar de suas riquezas naturais, segue com elevada pobreza, baixa renda por habitante e longe do sonho de se tornar um país desenvolvido. Mudar esse quadro é o grande desafio.
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