Curitiba encerrou 2025 com estabilidade nas vendas, ajustes no volume de lançamentos e sinais de alerta sobre o acesso à moradia econômica. O balanço anual da Pesquisa Imobiliária da ADEMI-PR, produzida pela Brain Inteligência Estratégica, mostra que o programa Minha Casa, Minha Vida representou apenas 5% dos empreendimentos lançados na capital, enquanto os produtos compactos passaram a concentrar quase metade da produção imobiliária.
Em 2025, Curitiba movimentou cerca de R$ 7,4 bilhões em vendas de apartamentos novos, mantendo equilíbrio entre oferta e absorção mesmo em um cenário de juros elevados e retração de 19% nos lançamentos. Foram pouco mais de 10 mil unidades colocadas no mercado e cerca de 10,2 mil vendidas ao longo do ano. “O mercado passou por um ciclo de acomodação dos lançamentos, mas manteve consistência nas vendas, demonstrando maturidade e capacidade de adaptação”, afirma Guilherme Werner, líder do grupo de inteligência de mercado da ADEMI-PR na gestão 2026/2027 e sócio da Brain Inteligência Estratégica.
Baixa presença do Minha Casa, Minha Vida expõe desafio habitacional na capital
Embora o programa Minha Casa, Minha Vida represente algo próximo de 50% do mercado nacional, em Curitiba sua participação ficou restrita a apenas 5% dos lançamentos em 2025. O dado evidencia um descompasso entre a demanda por moradia acessível e a produção imobiliária local.
Segundo Guilherme Werner, o cenário reforça um movimento estrutural. “Existe uma distância entre o que as famílias aspiram e o que conseguem comprar. O alto tíquete médio e a baixa presença do segmento econômico ampliam a procura por locação e reduzem o acesso à compra na capital.”
Para Maria Eugenia Fornea, presidente da ADEMI-PR, o tema exige uma leitura mais ampla sobre diversidade de produtos e planejamento urbano. “Curitiba precisa avançar na discussão sobre Habitação de Interesse Social (HIS) e ampliar o olhar para diferentes faixas de renda, garantindo equilíbrio entre desenvolvimento imobiliário e acesso à moradia”, afirma.
Capital lidera compactação e registra pressão nos preços
O avanço dos produtos compactos foi um dos movimentos mais marcantes do ano. Quase metade dos empreendimentos lançados, 45%, foi composta por estúdios e unidades de um dormitório, colocando Curitiba entre as cidades com maior presença proporcional desse tipo de produto no país.
A compactação também aparece nos dados urbanísticos: a capital licenciou quase 16 mil unidades para incorporação e mais de 1,2 milhão de metros quadrados em 2025, registrando a menor área média de apartamentos da série histórica. Ao mesmo tempo, o preço médio do metro quadrado chegou a R$ 15,1 mil, refletindo um aumento expressivo ao longo do período e indicando que os valores seguem avançando acima da inflação, pressionando o acesso à moradia.
Geração Z impulsiona intenção de compra e desafia mitos
A pesquisa nacional de intenção de compra conduzida pela Brain, com 1.200 entrevistas trimestrais e margem de erro de 3%, aponta que metade dos brasileiros pretende adquirir um imóvel nos próximos dois anos, maior índice da série histórica. Entre os grupos mais interessados está a chamada Geração Z, jovens nascidos entre 1995 e 2010, contrariando a percepção de que os mais novos priorizam apenas a locação.
Apesar do interesse crescente, a oferta limitada de produtos acessíveis ainda reduz a conversão dessa intenção em compras efetivas.
O que os números revelam sobre Curitiba
Curitiba segue como o quarto maior mercado imobiliário vertical do país e apresenta cerca de 32% das moradias em edifícios. O estoque final encerrou o ano próximo de 11 mil unidades, patamar considerado saudável após o ajuste no volume de lançamentos.
A procura demonstrou maior seletividade ao longo do período, com tempo médio de fechamento mais longo em determinados segmentos e comportamento mais cauteloso dos compradores diante das taxas de juros. Para a presidente, a leitura do estoque ajuda a explicar a estabilidade do setor. “Curitiba atravessou um período importante de reequilíbrio entre lançamentos e vendas. Ajustar o volume de novos projetos foi fundamental para manter o estoque em patamar saudável e preservar a dinâmica do mercado”, afirma.
Cenário econômico aponta demanda mais seletiva
No contexto macroeconômico, o financiamento imobiliário pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH) manteve estabilidade, alcançando cerca de R$ 324 bilhões em recursos. A menor taxa de desocupação da série histórica e a perspectiva de queda gradual da Selic indicam um ambiente mais favorável, ainda que marcado por maior seletividade do consumidor.
Para Maria Eugenia Fornea, o fechamento de 2025 reforça a importância de decisões orientadas por dados. “Curitiba demonstrou capacidade de adaptação, com equilíbrio entre lançamentos, vendas e estoque. O setor segue atento às transformações econômicas e demográficas, buscando ampliar a diversidade de produtos e contribuir para um desenvolvimento urbano mais consistente e sustentável”, afirma.
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