Atuar em cenários tipicamente masculinos ainda é um desafio para muitas mulheres no futebol. As barreiras são ainda mais altas, e permanecer nesse espaço exige determinação. Atletas, narradoras e meninas que estão começando no esporte mostram como a vontade de vencer sustenta a disposição diária de estar inserida em um ambiente que, por quase 40 anos, foi proibido às mulheres.
De acordo com dados da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em 2022, havia apenas 360 jogadoras profissionais e 17 árbitras registradas. Números que revelam o quanto ainda é preciso avançar.
A jornalista esportiva e comentarista Renata Mendonça fala sobre a importância de ocupar esse espaço:
“Tem uma frase da Billie Jean King que ela fala que você tem que ver para querer ser. Você tem que ver alguém como você fazendo algo para que você possa sonhar com aquilo. Então, para as mulheres, era impossível sonhar em ser narradora, em ser comentarista, porque não existia! Como é que você vai sonhar em ocupar um espaço que você não vê ninguém igual a você?”
Milly Lacombe, a primeira mulher a atuar como comentarista de futebol na televisão do país, fala sobre a dificuldade e a importância de seguir juntas nessa luta:
“Eu aprendi que a luta vale a pena. Vai ter dias que a gente vai querer desistir, algumas de nós vão ficar pelo caminho, mas esse não é um jogo de uma pessoa só. Eu acho que, para cada uma de nós que cai, existem muitas vindo aí. E está tudo certo em desistir, não há problema nenhum em desistir, com a consciência de que a gente fez o que a gente pôde fazer e de que alguém vai pegar o bastão que a gente largou e correr a partir dali. Sabe? A gente não está aqui por nós, a gente está aqui pela comunidade. Eu acho que ninguém vai se salvar sozinho. O futebol sempre me deu a certeza de que a gente está junto, mas a luta feminista me mostrou que a gente está juntas. E isso é muito importante.”
Coragem, estrutura e políticas públicas são fundamentais para tornar o ambiente seguro e permitir que cada vez mais mulheres conquistem seu espaço dentro e fora do campo.
Créditos Rádio Nacional/ Agência Brasil



















