O sinal de saída da escola toca. Do lado de fora, estudantes conversam e mexem no celular. De repente, alguns começam a rir. No telefone de uma aluna, aparece uma foto dela que alguém espalhou em um grupo de mensagens dos colegas. Situações como essa, que muitas vezes começam como uma suposta brincadeira, podem ser formas de violência de gênero dentro do ambiente escolar.
É justamente para ajudar escolas a enfrentar esse problema que o MEC, o Ministério da Educação, está mobilizando redes de ensino de todo o país. A proposta é aproveitar o “Mês da Mulher”, em março, e o “Mês da Convivência Escolar”, em abril, para que escolas tratem o tema de forma educativa e preventiva, com atividades que estimulem o respeito, o diálogo e a resolução pacífica de conflitos.
Para apoiar professores e gestores, o MEC disponibilizou materiais pedagógicos e cursos de formação, como o “Escolas ON, Violências OFF”, voltado à prevenção da violência contra meninas. Tudo está na página do ministério: gov.br/mec.
A coordenadora-geral de Combate à Violência nas Escolas, Thaís Dias Luz Borges Santos, mencionou as situações que mais agridem as meninas:
“Tem essas piadas, comentários, que desrespeitam as meninas e tentam diminuí-las por serem meninas. E isso pode aparecer em xingamentos, apelidos, brincadeiras que colocam essas meninas para baixo. Falas que tentam controlar como elas devem se comportar, como elas devem se vestir ou com quem elas podem conversar.”
Segundo a coordenadora do MEC, a violência contra as meninas também ocorre no ambiente digital:
“Hoje, isso também acontece muito nas redes sociais e nos grupos de mensagens, seja por WhatsApp ou outras plataformas. Por exemplo: espalhar boatos sobre uma menina, expor fotos ou conversas sem autorização, fazer montagens ou comentários ofensivos sobre o corpo ou a vida pessoal dela.”
Thaís detalhou ainda como identificar comportamentos que podem indicar alguma forma de violência:
“Quando uma estudante começa a se isolar, ficar mais quieta, evitar participar das atividades, apresentar tristeza, medo, até uma queda no seu rendimento, no seu desempenho escolar. Esses podem ser, sim, sinais que indicam algum alerta para nós enquanto educadores. Nesse caso, é muito importante que a escola consiga ter um ambiente de escuta, de acolhimento.”
Masculinidade e responsabilidade
O MEC destaca que enfrentar esse problema também passa por discutir masculinidade e responsabilidade nas relações entre jovens, como explicou a coordenadora da pasta:
“Muitas vezes, a gente esquece de que os meninos também têm gênero e que os corpos masculinos também sofrem pressões sociais, assim como os nossos corpos femininos. Então, essas expectativas geram pressão sobre esses meninos, sobre os homens. Em alguns casos, acabam incentivando comportamentos de agressividade e de desrespeito nos seus relacionamentos. Então, por isso, quando a escola envolve os meninos nessas conversas, ela também está ajudando esses jovens a construírem outras formas de ser homem na nossa sociedade, ancoradas no respeito, na empatia e no cuidado com o outro.”
O ministério orienta ainda que as escolas estejam preparadas para identificar e encaminhar situações mais graves. Casos de ameaça, violência ou circulação de conteúdos de ódio devem ser comunicados à rede de proteção, como conselho tutelar, assistência social ou autoridades de segurança, quando necessário.
Créditos Rádio Nacional/ Agência Brasil



















